Mais home-office

Vida e Estilo - Burrocráticas

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Trabalhar 8 horas por dia é um eufemismo hilário...

Um privilégio de algumas pessoas que alcançam níveis mais altos no trabalho burocrático é poder fazer home-office, ou trabalhar determinados dias em casa, para quem tem sorte de não estar familiarizado com ‘corporativês’. É um privilégio muito utilizado, vi poucos colegas que se abstinham de tal regalia, os raros que o faziam eram tristes na vida pessoal, o que me fazia questionar se tanta dedicação não seria apenas uma fuga da vida doméstica para pessoas com pouca imaginação. As mulheres sempre usam e abusam do home-office, e muitas o fazem com maestria, ao ponto de serem mais eficientes em casa do que no escritório, talvez por sentirem maior necessidade de estar presente no desenvolvimento dos filhos, mais próximas da vida doméstica.


Já não é difícil encontrar quem tenha trocado o trabalho de 40 horas semanais por alternativas mais interessantes, apesar de ser acessível para poucos. O tal do horário comercial poderá ser facilmente flexibilizado com a demanda do mundo mais evoluído tecnologicamente, nao precisamos mais de algo que só funcione até as 18 horas, até porque a maioria de nós está presa em algum trabalho até esse horário, entào de que adianta um serviço ou comércio que feche no horário em que  você finalmente está disponível para consumí-lo?  Procurar alternativas mais flexíveis de trabalho, com jornada menor e menos tempo em ambiente burocrático poderia aumentar consideravelmente a produtividade das empresas.


Pesquisa empírica, costumo perguntar para todos que conheço e sei que trabalham em escritório oitos horas por dia, de segunda a sexta: Quantas horas você realmente trabalha, está com a mão na massa mesmo, fazendo algo do interesse da empresa? A grande meioria responde que menos ou metade de seu expediente, ou seja, a pessoa faz a maior hora para produzir o que é obrigada. Menos horas por dia a deixaria mais focada, não menos produtiva, pois a demanda não seria menor.  Fato é que, por vontade, a maioria das pessoas não fica trancada um terço do dia num escritório, a maioria das pessoas concorda que, se tivessem oportunidade,  queriam mais é viver e ser feliz...



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Rafael Reinehr  - Abaixo ao trabalho |13-10-2009 02:51:57
avatar “Um dos maiores manufatureiros da Alsácia, o Sr. Bourcart, de Guebwiller, declarava: “O dia de trabalho de doze horas era excessivo e devia ser reduzido para onze e aos sábados devia-se suspender o trabalho às duas horas. Posso aconselhar que a adoção dessa medida embora pareça onerosa à primeira vista; experimentamo-la nos nossos estabelecimentos industriais há já quatro anos e demo-nos bem e a produção média, longe de diminuir, aumentou.”
No seu estudo sobre as máquinas, o Sr. F. Passy cita a seguinte carta de um grande industrial bela, o Sr. M. Ottavaere: “As nossas máquinas, embora sejam as mesmas que as das fábricas de fiação inglesas, não produzem o que deveriam produzir e o que produziriam estas mesmas máquinas na Inglaterra embora as fábricas de fiação funcionem menos duas horas por dia. (...) Trabalhamos todos duas longas horas a mais, estou convencido de que, se trabalhássemos onze horas em vez de treze, teríamos a mesma produção e, por conseguinte, produziríamos mais economicamente.”
Por outro lado, o Sr. Leroy-Beaulieu afirma que “um grande manufatureiro belga observa muito bem que nas semanas em que calha um dia feriado a produção não é inferior às das semanas normais.”

“Mas se uma miserável redução de duas horas aumentou em dez anos a produção inglesa em cerca de um terço, que ritmo vertiginoso imprimiria à produção francesa uma redução geral de três horas no dia de trabalho? Os operários não conseguem compreender que, cansando-se excessivamente, esgotam as suas forças antes da idade de se tornarem incapazes para qualquer trabalho; que absorvidos, embrutecidos por um único vício, já não são homens, mas sim restos de homens; que matam neles todas as belas faculdades para só deixarem de pé, e luxuriante, a loucura furiosa do trabalho.”

Mais sobre o mesmo assunto você pode encontrar na compilação que estou fazendo em meu blog, no seguinte endereço: http://reinehr.org/anarquia-e-escritos-libertarios/apontamentos-anarquistas/abaixo-ao-trabalho

Sobre viver mais e ser feliz: muitos conversam no botequim, fazem queixas aos quatro ventos. Mas quantos se programam e orientam para isso? Seria interessante conheceres a turma do novoolhar.ning.com

Abraço.
Lia Drumond |28-10-2009 10:05:47
avatar Pois é, quando eu mandei o primeiro texto pra você, li estes links, devorei, adorei. São fundamentais...
Me tuíta!
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