Uniban, Taliban, Autobahn e Croissant, quais as diferenças?

OPS - Editorial

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Recentemente, alguns episódios que confirmam a lógica insana a qual presenciamos dia após dia no noticiário brasileiro me puseram a refletir. O pequeno contributo abaixo é um esforço meditativo em prol da “democracia” (que cada vez mais acredito ser coisa do “demo” mesmo). Vamos então às diferenças:

Croissant2Croissant: é uma palavra francesa, que significa crescente. Identifica um pão característico, de massa folhada em formato de meia-lua, feito de farinha, açúcar, sal, leite, fermento, manteiga e ovo para pincelar.

Autobahn: é um termo da língua alemã, que significa literalmente caminho ou percurso (Bahn) para carros (Auto). O termo oficial é Bundesautobahn (auto-estrada federal).
A Autobahn na Alemanha é similar a uma auto-estrada. O que diferencia a Autobahn da auto-estrada de outros países é a ausência do limite de velocidade, porém, recomenda-se uma velocidade de 130 km/h. Somente estradas de duas vias em cada direção são consideradas do tipo Autobahn na Alemanha. Obviamente há limite de velocidade em lugares considerados perigosos, regiões montanhosas, estradas sinuosas ou perto de regiões urbanas com trânsito intenso.

Taliban (ou Talibã): o talibã (também transliterado talebã, taliban ou taleban, que em farsi significa estudantes) é um movimento islamita extremista nacionalista da etnia afegane pashtu, que efetivamente governou o Afeganistão entre 1996 e 2001, apesar de seu governo ter tido reconhecimento de apenas três países: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão. Seus membros mais influentes, incluindo seu lídeo Mohammed Omar, eram simplesmente ulema (isto é, alunos universitários) em suas vilas natais.

Algumas atividades que foram banidas do Afeganistão durante o regime do taliban:

* leitura de alguns livros
* portar câmeras sem licença
* cinema, televisão, uso de videocassetes (considerados decadentes e promotores da pornografia ou de idéias não-muçulmanas)
* uso de Internet
* música

* as mulheres só podiam sair acompanhadas de um homem
* empinar pipas (considerado perda de tempo, além de serem usadas em rituais hindus)
* aparição de mulheres em fotos ou na televisão, ou fotografar mulheres
* plantio de ópio
* Rinha de Cães
* previsão do tempo
* boxe. Embora o esporte continuasse a ser praticado no país, os competidores não podiam participar em torneios internacionais pois não podiam cortar a barba, enquanto as regras internacionais do boxe exigem que o atleta esteja completamente barbeado.
* Artes (pinturas,estátuas e esculturas de outras religiões)

Mulheres: O regime taliban impedia as mulheres de trabalhar e tinha regras rígidas sobre a educação feminina. Em alguns casos, as mulheres eram impedidas de terem acesso a hospitais públicos para que não fossem tratadas por médicos ou enfermeiros homens.As mulheres não podiam sair de casa sem acompanhantes homens, e saiam somente pela porta de trás do ônibus. As mulheres que eram viúvas ou que não possuiam filhos eram consideradas não-pessoas pelo Estado e muitas vezes enfrentavam a fome.

talibanUniban: Universidade “de esquina” brasileira, nome dado a instituições de ensino que mais se parecem empresas cujo objetivo principal é o lucro em detrimento da qualidade de ensino, pesquisa ou formação ética de seu corpo discente. Recentemente envolveu-se em ato francamente imoral ao expulsar aluna que compareceu às suas dependências com o que se convencionou chamar de microssaia, sem antes promover um debate na sociedade (ou mesmo interno) sobre o assunto. Para alguns críticos, o movimento assemelhou-se ao início de medidas conservadoras, opressoras e cerceadoras extremistas que aproximam a instituição mais do regime do Taliban (descrito acima) do que o que se encontraria em uma verdadeira democracia.

Agora pergunto: você preferiria viver em um mundo em que fossem possíveis Croissants e Autobahns ou Talibãs e Unibans?

Aproveito para dar as boas-vindas a dois novos blogueiros que uniram-se ao nosso coletivo: Camila Suzuki, que mantém o blog BecoSangre, “literapura” na veia e o Prof. Dr. Waltécio de Oliveira, que questiona a vida, a natureza e a sociedade em seu belíssimo Macaco Alfa. Sejam muito bem-vindos nobres confrades!

Em breve, juntarão-se a nós dois novos blogs, cujos temas estou antecipando: ateísmo, religião, cultura, política e utopia. Logo, no OPS!.


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Gilberto Agostinho |10-11-2009 12:10:48
avatar Rafael, acredito haver um problema de formatação no seu texto pois eu não consigo notar nenhuma diferença entre os dois últimos assuntos da lista acima. Aconselho um parágrafo único para o Talibã e a Uniban.
Rafael Reinehr  - Hahahaha! |10-11-2009 15:05:28
avatar Boa!
TaLy  - Ridículo |14-11-2009 10:37:48
:zombie: Você é ridículo como todos neste país! A mídia manipula todo mundo e o pior, todo mundo quer discutir um assunto que nem presenciou. Nojentos! Hipócritas! Manipuláveis!
TaLy  - Por que não vai falar do apagão? |14-11-2009 10:47:04
Tantas coisas mais importantes a serem faladas, todo mundo quer falar de uma mesma coisa.

Absurdo não foi isso não, absurdo é ver quanta gente não tem condições de ter uma vida digna. Sabe o que é você passar todo dia pela manhã na região da Luz (capital de SP), ver todas aquelas pessoas sem nenhuma condição mínima de vida e não ter condições de ajudá-las? Isso a mídia não tenta ajudar! Nisso ninguém vai lá doar um dia no cabeleireiro para aquelas mulheres, para pelo menos 1 dia elas se sentirem dignas. Não, isso ninguém fala! Todo mundo gosta é de ver briga e mais briga... Tomara que em 2012 o mundo acabe mesmo e se crie um Novo Mundo com pessoas que não querem esse tipo de coisa nos noticiários. As pessoas se aproveitando da situação dos outros para se promover. Essa aluna fez errado, meia dúzia de idiotas resolveram bagunçar e agora quem fica lendo e ouvindo merda é aqueles que não tiveram nada com a história? Isso não é justo, isso é um absurdo, quando se tem tanta coisa errada no mundo e a ser criticada e ajudada!Você é mais um idiota no mundo que quer se promover as custas dos outros. Ridículo!
Rafael Reinehr  - Depois do surto... |14-11-2009 14:11:41
avatar TaLy, não deveria nem gastar meu tempo com tua agressão gratuita.

Se você sabe mesmo o que é melhor para a mídia, que tal dar a cara a tapa e ocupar o posto de Ombudsman aqui d'O Pensador Selvagem? Quer tentar?

Além do mais, você é pobre de espírito e muito injusta. Há quanto tempo acompanha o site, os artigos por aqui expostos e, em particular este editorial? Por acaso leu as edições anteriores antes de expulsar essa revolta toda?

Ainda - e finalmente, para não me estender - tá com vontade de meter a mão na massa e não só criticar (como todos costumam fazer?)? Então visita a coolmeia.org e a coolmeia.ning.com e nos brinda com um pouco do teu tempo e da tua vontade. E junte-se a um grupo de pessoas que pararam de criticar há tempo e estão FAZENDO coisas para, entre outras, evitar APAGÕES. =)
Marília |16-11-2009 13:02:30
Simplesmento é o cúmulo!!!
A menina que se veste vulgarmente não sai da mídia.

Mas ninguém vê as meninas inteligentes, que são pesquisadoras, tiram notas boas e deveriam ser exemplo para esse povinho.

Por isso que a maioria dos brasileiros são uns tapados discriminados no exterior. Colhe-se o que se planta.

Tenho vergonha de ser brasileira, com esse tipo de coisa acontece, e é só no Brasil mesmo!!!

LAMENTÁVEL!!!
Sr. Lupa |18-11-2009 03:08:11
Talvez eu esteja enganado, mas, apesar das inegáveis qualidades textuais, esse editorial parece meramente repetir um modo de pensar que sempre esteve em voga entre aqueles agraciados pela sociedade. Quase toda a produção intelectual (sejam ciências, artes, filosofias) são obviamente oriundas de países que tem sido prósperos nos últimos séculos. É natural que devamos absorver todo esse conhecimento para que possamos construir nosso próprio pensar, nosso próprio desenvolvimento como povo. Porém, toda essa produção carrega não só as verdades incontestáveis das ciências duras, mas trazem em seu bojo, acima de tudo, valores, modos de ver o mundo. A nossa dita elite intelectual (é doloroso ter de usar um termo tão desgastado) poucas vezes foi capaz de separar o conhecimento necessário para a conquista de sua libertação intelectual sem engolir junto o conteúdo contaminado com o modo de pensar que sempre a manteve cativa.
A pior colonização é a intelectual, que se manifesta na importação de modelos, de soluções, de valores. Copia-se, simplesmente, como se não fosse possível fazer melhor, criar um modelo nosso. É natural admirar os feitos dos povos bem-sucedidos, mas a admiração não pode ser camuflagem para a idolatria. Quando deixaremos de seguir tendências para as criar? Quando até mesmo a rebeldia, a inovação, a revolução deixarão de ser apenas reprodução de um contexto externo, como foram a inconfidência mineira, a semana da arte moderna...? É certo que seria anacronismo defender o “isolacionismo” intelectual numa era de intensa interação, não se trata de nos ilhar, mas de lutar para sermos senhores do nosso próprio destino. Por mais que Oswald tenha tido boa intenção ao criar a idéia de antropofagia, ele deveria ter se lembrado que apesar do antropófago jantar os primeiros invasores, em pouco tempo, a ele só restou servir o jantar.
Que relação tudo isto tem a ver com o editorial? Bem, me parece que ele se utiliza de uma visão muito simplista (simplicidade que costuma ser o ônus do humor) para demonstrar que o episódio tema está ligado ao subdesenvolvimento. Será que o mundo da autobahn e do croissant são, realmente, modelos a serem seguidos tão piamente? Tempos atrás o mundo do croissant proibiu que estudantes portassem símbolos de sua fé em ambiente público. Com o pretexto de defesa do caráter laico da sociedade, comprometeram a liberdade de auto-determinação. Um país assim, apesar de sua avançada técnica de panificação, pode ser exemplo para um editorial que parece defender o direito a vestir uma microsaia? O mundo da autobahn é tão rico em maus exemplos que nem é necessário citá-los. Pode-se ir um pouco ao lado, no mundo da garrafa Sigg (garrafa que certamente deve ter um espaço reservado na mochila do editor). Na suíça está sendo proposta, por iniciativa popular, a proibição de construção de minaretes.
Parodiando o adágio popular: dize-me quem admiras e direi quem és.
Rafael Reinehr  - Metáforas |18-11-2009 09:14:32
avatar Prezado Sr. Lupa, em primeiro lugar, deixe-me escancaradamente lhe fazer um elogio: seu comentário muito me honra, em primeiro lugar por não ser uma crítica vazia, um mero “desabafo de bar” que não leva à reflexão mas tão somente à rejeição automática ou aceitação tácita por companheiros cm diversos graus de alcoolemia. Seu comentário altamente qualificado e ornado com uma introdução intelectual, com belo uso da língua portuguesa, que sobrepuja por longa distância o texto bem humorado que produzi, às pressas, em uma “mudança de pauta” não planejada (para que isso não seja usado como justificativa, afirmo que, mesmo nos melhores momentos, tenho dificuldade em me expressar de forma plasticamente tão bela quanto fizeste - o que me faz aventar inclusive a possibilidade de convidá-lo a participar mais assiduamente do nosso portal, caso haja interesse de sua parte).

Em segundo lugar - e agora por necessidade - preciso esclarecer a confusão apresentada pela sua interpretação do meu texto. Se concordo que o humor - em contraposição ao ensaio - peca por uma simplicidade por vezes exagerada, existem palavras na sua crítica que nunca foram proferidas em meu editorial - e é justamente aí que existe um dos maiores problemas dos debates por escrito: há um imenso “gap” entre a réplica e a tréplica.

Por exemplo: não usei “croissant” como uma metáfora para França tampouco “autobahn” para uma metáfora para a “Alemanha”. Usei croissant como uma metáfora para algo delicioso, prazeroso, feito com as mãos de um ser humano e que serve para reforçar a convivialidade. E usei autobahn como metáfora para tecnologia a serviço do espírito humano e para liberdade, ainda que restrita pelo espaço. Quando extrapolas minha metáfora para um povo inteiro, ou para uma nação - saindo da “coisa em si” - acabas por me imputar um pensamento que não tenho. Conheço bem a história da menina muçulmana proibida de usar seu véu na França, mas não conhecia a história da Sigg e dos minaretes (nem sei o que é Sigg, vou pesquisar!).

Para concluir, dentro da minha lógica de pensar, é possível utilizar fragmentos de uma cultura - ou mesmo de ações de um indivíduo - como exemplos para a construção positiva de um modus pensandi e um modus vivendi mais socialmente desejáveis. Com isso, simplificando, podemos usar o croissant e o pão francês e deixar de lado a proibição da liberdade de auto-determinação. Podemos usar autobahns e um sistema público de energia elétrica que compra do indivíduo o excedente da energia que ele mesmo produz com painéis fotovoltaicos e deixar de lado os campos de concentração.

Respondo assim, humildemente, sabendo que este debate ainda está longe de terminar, e imensamente grato pela crítica que me fez refletir junto ao café da manhã deste 18 de novembro.
geovana  - que beleza |22-11-2009 08:38:01
=) Senhores,

que felicidade!!!

Não conhecia esse espaço.Estou aqui feliz da vida porque gostei do que li e vou, com certeza, voltar mais vezes.
Geovana

Fernando Cunha  - O que eu entendi? |28-11-2009 23:34:41
avatar Uma maneira bem humorada de criticar a atitude da Uniban ao expulsar uma aluna por usar um traje considerado inadequado, utilizando-se de palavras cujas pronuncias são parecidas, e que, apesar de aparentemente não relacionadas semanticamente, definem entidades que simbolizam a "massividade", a ausência de limites e o radicalismo, valores esses muito pertinentes ao contexto do ocorrido na Uniban, foco principal desse texto.

Super-valorização da cultura internacional? Não enxerguei isso em momento algum...

Penso não ter faltado tanto às aulas de interpretação no Ensino Médio...
Me tuíta!
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