
Conhecendo as pessoas: das cartas de Werther e Rilke aos e-mails de agora.
_____Uma das paixões do fim da minha adolescência foi o romance Os sofrimentos do jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe. Li completamente alcandorado. Por mais melacueca que a história fosse, mesmo com as infinitas choramingações de Werther, eu me diverti horrores com a obra. Gostava das personagens, torcia. Não foi à toa que acabei lendo duas vezes seguidas.
_____Além da fascinação pelo romance em si, também gostei muito do modo como ele foi narrado. Se muito não me engano, foi o primeiro livro que li em que o leitor só ficava a conhecer a história por cartas – e, mais interessante ainda, pelas missivas de apenas de um dos remetentes.
_____Hoje, tenho revivido a boa experiência; comecei a ler Cartas a um jovem poeta. Ao contrário do romance de Goethe, o Cartas não é uma ficção. O jovem poeta Franz Xaver Kappus resolveu escrever para o poeta já reconhecido Reiner Maria Rilke pedindo opiniões sobre os próprios poemas. A resposta veio e os dois continuaram a trocar correspondências. Kappus guardou as cartas que recebia e, pouco depois da morte do outro, publicou-as. Mesmo só sendo possível ler as epístolas de Rilke, não é difícil perceber na obra um pouco da personalidade do seu correspondente.
_____Exatamente por apreciar o gênero e curtir o exercício de análise humana, saí a procurar outras publicações do tipo: textos que me fizessem apreciar uma história não totalmente contada, ao mesmo tempo em que eu conhecia (direta ou indiretamente) suas personagens. Por sorte, não precisei roubar um carteiro: logo encontrei uma versão bem mais moderna da brincadeira.
_____Tenho me divertido bastante com a história de Penélope, uma carioca que saiu do Brasil para acompanhar o marido em Nova Iorque. Ela resolveu pegar alguns e-mails que enviou para uma amiga que continuou no Rio de Janeiro e publicá-los (omitindo alguns detalhes) em um blog chamado Emails de Nova York. Dos medos aos preconceitos da autora; do cotidiano comum à incomum nova vida. Está tudo lá. Tudo o que faz das pessoas demasiadamente humanas.
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_____Uma das paixões do fim da minha adolescência foi o romance Os sofrimentos do jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe. Li completamente alcandorado. Por mais melacueca que a história fosse, mesmo com as infinitas choramingações de Werther, eu me diverti horrores com a obra. Gostava das personagens, torcia. Não foi à toa que acabei lendo duas vezes seguidas.
_____Além da fascinação pelo romance em si, também gostei muito do modo como ele foi narrado. Se muito não me engano, foi o primeiro livro que li em que o leitor só ficava a conhecer a história por cartas – e, mais interessante ainda, pelas missivas de apenas de um dos remetentes.
_____Hoje, tenho revivido a boa experiência; comecei a ler Cartas a um jovem poeta. Ao contrário do romance de Goethe, o Cartas não é uma ficção. O jovem poeta Franz Xaver Kappus resolveu escrever para o poeta já reconhecido Reiner Maria Rilke pedindo opiniões sobre os próprios poemas. A resposta veio e os dois continuaram a trocar correspondências. Kappus guardou as cartas que recebia e, pouco depois da morte do outro, publicou-as. Mesmo só sendo possível ler as epístolas de Rilke, não é difícil perceber na obra um pouco da personalidade do seu correspondente.
_____Exatamente por apreciar o gênero e curtir o exercício de análise humana, saí a procurar outras publicações do tipo: textos que me fizessem apreciar uma história não totalmente contada, ao mesmo tempo em que eu conhecia (direta ou indiretamente) suas personagens. Por sorte, não precisei roubar um carteiro: logo encontrei uma versão bem mais moderna da brincadeira.
_____Tenho me divertido bastante com a história de Penélope, uma carioca que saiu do Brasil para acompanhar o marido em Nova Iorque. Ela resolveu pegar alguns e-mails que enviou para uma amiga que continuou no Rio de Janeiro e publicá-los (omitindo alguns detalhes) em um blog chamado Emails de Nova York. Dos medos aos preconceitos da autora; do cotidiano comum à incomum nova vida. Está tudo lá. Tudo o que faz das pessoas demasiadamente humanas.
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