A Sociedade, seu funcionamento, e o surgimento de uma Nova Economia

OPS - Editorial

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Somos seres sociais, não vivemos sozinhos em uma caverna. Mas o que isso significa?
Já dizia Martin Luther King:

O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons


E assim é. Este mundo é heterogêneo, composto por indivíduos com interesses diversos. Alguns gastam, outros poupam, uns se aventuram outros ficam em casa, uns gostam de trabalhos manuais, outros intelectuais, alguns sofrem outros se rejubilam, alguns trabalham enquanto os outros festejam. Isto é um fato, não lhe parece? Mais utópico do que imaginar um mundo mais equânime é imaginar que a humanidade mudará sua característica de heterogeneidade de valores, crenças e modos de vida.

Ao mesmo tempo, também é notório perceber que apenas uma pequena parcela da população comanda todo o restante, determinando o que foi, o que é e o que deve ser a história das nações e indivíduos por eles comandados. O que acontece é que, com raras porém honrosas exceções na história da civilização humana, estes líderes ou governantes não passaram de pessoas mais interessadas em si próprios e em perpetrar o seu poder do que naqueles os quais guiavam ou, usando um termo mais preciso, exploravam.

Pela primeira vez na História da Humanidade, temos capacidade para mudar isso. Já existe conhecimento técnico, engenharia e tecnologia sociais disponíveis para iniciar uma mudança sem precedentes na vida de todos nós. Pela primeira vez, os “bons”, ou pelo menos aqueles que se preocupam não tanto com seu próprio umbigo mas possuem uma visão sistêmica da Vida e da Natureza podem unir-se, em uma verdadeira aliança global, para juntos, elaborar e viver em uma rede que subsista de forma totalmente independente da loucura do atual sistema de exploração do Homem e da Natureza pelo próprio homem, um sistema já nascido de forma antiética e não sustentável.

Nesta rede em formação, haverá lugar para todos: indivíduos, empresas, corporações e até, por um bom tempo, governos nacionais. Não haverá nenhum tipo de ruptura ou revolução, mas sim, evolução. O processo que já está iniciado levará a mudanças sensíveis e progressivas iniciando dentro de cada um de nós e, em um primeiro momento insinuando-se e finalmente tomando conta dos espíritos e da estrutura de escolas, instituições religiosas, empresas e órgãos governamentais. Não haverá defesa pois não é necessária imunidade para combater algo que esperamos desde sempre: um período em que a harmonia e a concórdia sejam a regra, e que todos possamos ao mesmo tempo expressar nossos mais íntimos desejos sem, ao mesmo tempo, infringir sofrimento ao outro ou ao mundo em que vivemos.

Então, amigas e amigos, chegou o tempo da restauração de um período imemorial, algo que talvez os místicos saibam explicar de forma mais adequada do que os cientistas, um período gravado em nosso DNA e que está deixando seu estado de latência e nos conclama a nos tornarmos atores principais desta mudança.

O trabalho já está sendo feito em várias partes do mundo e, nos países de língua portuguesa a atividade feita de forma puntual também já existe. Nos falta coordenar os esforços para que, aos ouvidos daqueles que ainda nos oprimem com sua ganância e desejo de poder, sejamos não apenas um tênue sussurro mas um grito, não de desespero ou de revolta, mas de orientação sobre o caminho que a partir de agora iremos trilhar.

Estejam, então, convidados aqueles que se julgam capazes de se destacar da massa de comandados e explorados para construir este novo porvir, que acabou de deixar nossos sonhos e está prestes a se tornar, em um futuro breve, uma página da história de como a humanidade superou a si mesma e se integrou com a Natureza ao invés de extingui-la e criou uma nova Economia*, que respeita a diversidade e exalta de forma não excludente tanto a coletividade quanto o direito à expressão individual.

Rafael Reinehr

*Economia, no texto acima, refere-se à administração de nossa casa (do grego oikos (casa) e nomos (costume ou lei, ou também gerir, administrar), no caso a Terra, seus habitantes e seus recursos naturais. Envolve o estudo das escolhas, uma vez que são afetadas por incentivos, recursos, escassez e necessidades.



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carlos alberto soares  - socialismo utópico |30-07-2009 10:14:07
Simpatizo com a idéia, muito embora reservar lugar no paraíso para as corporações seja muito bizarro: é uma contradição elementar. Simpatizo como simpatizo com os velhos socialistas utópicos que diante da pujante industrialização da Europa no século XVIII vislumbravam um mundo novo. Inclusive numa delas, na Utopia, de T. Morus, havia até lugar para escravos...
Óbvio que ficavam tão fora de contexto como as tais corporações 'do bem' citadas acima. E tudo fluindo numa transição suave. Sem a resistência da fração da humanidade que vive na opulência às custas da miséria do restante. Sem a necessidade da organização da maioria para vencer essa resistência (manifesta em golpes militares, oligopólios de mídia, etc).
Viva o autor, viva Proudhom, viva outros utopistas que nos fazem sonhar e buscar o novo. "É preciso arrancar alegria ao futuro!" (Maiakowsky)
Rafael Reinehr  - Calcanhar de Aquiles |30-07-2009 11:32:45
Carlos, obrigado pela leitura atenta. Sei que foi atenta pois conseguiste pousar justamente no calcanhar de Aquiles do meu pensamento.

Esqueci de dizer (na verdade não esqueci, mas não pude dizer) que as bem ditas (não confundir com benditas) corporações ali enunciadas também teriam (em nem tão próximo futuro) pouco lugar nesta Nova Economia (como é de se imaginar).

Talvez restem corporações de ofícios, aglomerados temáticos, cooperativas de crédito e consumos e outros agrupamentos bem distintos, entretanto, daquelas formações apresentadas no filme The Corporation.

A história que Rafael Hitlodeo nos conta em A Utopia é realmente sui generis, em primeiro lugar pela época em que foi escrita e também, como bem lembraste, pela presença de escravos. Como se vê, por mais adiante que possamos parecer em nosso pensamento de vanguarda, sempre mantemos uma âncora em terra, capaz de limitar os vôos de nossa imaginação.

Obrigado pelo comentário.
Tânia L. Borges de Barros  - Saudações |23-08-2009 17:35:18
Rafael, apreciei o texto bem escrito e o pensamento que sintetiza mesmo a tendência atual, por mais que pareça de difícil realização.
Rafael Reinehr  - Só se... |23-08-2009 19:54:50
avatar Só acontecerá se caminharmos nessa direção. Na verdade, se arregaçarmos as mangas e trabalharmos, diuturnamente com este objetivo.

O número de pessoas que vem fazendo isso só aumenta, o que já é um alento. Agora, basta que nos comuniquemos e organizemos adequadamente.
Lia Drumond  - Se fazer exemplo... |17-09-2009 09:22:44
Como é difícil participar, né? A zona de conforto é muito mais atraente que a de confronto e o natural é buscarmos a paz e a tranquilidade, mesmo que isso signifique indiferença. Acho que não são corporações, religiões ou quaisquer grupos que trazem os problemas e sim os indivíduos. Se cada um buscasse ao menos ser o exemplo do que espera de bom dos outros já seria uma grande evolução. Terá a hipocrisia tomado o lugar da diplomacia? Lindo texto... Bjs
Me tuíta!
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