2010

OPS - Editorial

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Quando comecei a me entender por gente, 2010 era uma coisa bem futurística, de ficção científica. Seria o tempo de Jetsons e Flash Gordons.

Cresci ouvindo pregações escatológicas que não me davam nenhuma esperança de chegar a esses dias.

E, mais do que chegar, 2010 já foi.

E segue tudo como dantes, ou pelo menos o mundo segue sendo mundo. Como já disse um enfastiado Salomão no Eclesiastes, não há nada de novo sob o sol. Ou, pra usar um conceito braudeliano, vemos na história do mundo muitas constâncias, a fazer pensar numa "longa duração" em que as mudanças em séculos ou milênios são bastante superficiais.

Mas, para usar o termo que a nossa presidente eleita gastou no debate televisivo, tergiverso.

O negócio é que eu devia dizer que 2010 foi um ano e tanto, que aconteceu muita coisa boa neste mundo e nesta vida.

O nosso portal aqui, só tem a comemorar, do alto de seus 3 anos recém completados. Cheio de novos colunistas, empolgadíssimos, 2011 promete.

Este editor, também teve um ano agitado, coroado com uma defesa de tese que pareceu que nunca chegaria. Em 2011 é mais do que hora de dar retorno à sociedade por todos os recursos públicos investidos na minha formação.

O Brasil também viveu um grande momento, com duas mulheres somando a maioria absoluta dos votos nas eleições. Uma mudança e tanto para um país ibérico de machismo secular e firmemente arraigado. Que a posse de Dilma no próximo dia 1º simbolize o alvorecer de um novo tempo, com um novo lugar da mulher na sociedade brasileira, e sensíveis melhorias nas relações de gênero.

Para onde minha vista alcança, só posso avaliar o ano que termina como um grande ano. E esperar muito de 2011. Otimismo que eu espero, sinceramente, que seja comungado pelos nossos leitores.

E que sirva, mais do que para ficar numa alegria-de-pasmaceira, para um arregaçar de mangas mobilizador: fazer um mundo cada dia um bocadinho melhor está ao nosso alcance. Começando das nossas relações pessoais e familiares, do nosso trabalho profissional, dos trabalhos colaborativos que fizermos em lugares como o OPS, dos diversos tipos de mobilização social que podemos, cada vez mais, acionar. E que nossa participação política não se resuma aos anos de eleição.

São esses os meus votos - e acredito que posso dizer isso também em nome de todos que fazem o OPS: um grande ano novo!



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Diângeli Soares |30-12-2010 00:34:06
avatar Gostei do balanço de 2010 e mais ainda dos votos para 2011. Mas eu queria comentar mesmo a parte em que você fala que imaginava que 2010 seria o mundo dos jetsons, dos Flash Gordons e (eu acrescento) dos skates voadores. Há um tempo eu assisti De volta para o futuro e comentei com o meu irmão que estamos atrasadíssimos! A essa altura os carros ja deveriam estar voando! Mas olha só essa notícia que eu li hoje: http://movimentocontestacao.blogspot.com/2010/12/robo-substitui-professor_30.html?spref=tw
Me diz se o robozinho (que está nessa foto aqui http://blog.forumeducacao.zip.net/images/roboprof.jpg) não é digno dos jetsons e dos skates voadores?
Rafael Reinehr  - Pasmaceira |31-12-2010 10:18:35
avatar 2010 foi realmente intenso. Mas espero que seja considerado uma pasmaceira perto do que vamos aprontar em 2011. Hoje mesmo, navegando em um texto de Sherry Arnstein sobre a Escada da Participação Cidadã (http://lithgow-schmidt.dk/sherry-arnstein/ladder-of-citizen-participation.html), fiquei impressionado ao perceber como estamos tão atrasados em alguns aspectos de governança participativa, delegação de poder e mesmo autogestão comunitária ao ler exemplos de projetos que eram "tentados" já na década de sessenta nos EUA. E não avançamos.

E não é o PT nem uma presidenta mulher que irá nos tirar de onde estamos (queime minha língua, por favor!), e sim a participação popular, a organização, integração e cooperação crescente de movimentos, forças e iniciativas populares, é a sociedade civil, de baixo para cima que irá fazer a mudança acontecer. E é isso que quero ver se fortalecer em 2011: mais e mais coesas e eficazes articulações populares reunindo-se em iniciativas inovadoras, solidárias e sustentáveis, continuando um processo de transformação que nos levará ao "Brasil do futuro", há tanto almejado...
Me tuíta!
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