
O início da primavera na Alemanha não são só flôres. Quando os temômetros sobem, várias espécies de anfíbios se tornam ativas e iniciam sua jornada migratória. Então o que serve para facilitar a vida dos seres humanos e transporta-los para todos os lugares do planeta, pode causar algumas dificuldades para os pequenos seres. Saiba mais sobre Este Pais-Alemanha em trânsito e a grande ajuda prestada ao príncipe anfíbio ao atravessar a rua.
Todos os anos no início da primavera, quando as temperaturas sobem e passam dos 10 graus, acontece o fenômeno da migração de sapos em toda a Alemanha. Lentamente acordam do seu sono de inverno e põem-se a caminho até a lagoa mais próxima, onde acontece a desova e em 3 a 4 mêses se transformarem de novo em sapo repetindo a cami nho de volta no verão. A maior migração ocorre em áreas de florestas e pântanos em direção onde nasceram, uma caminhada de obstáculos, de muitos obstáculos... A distância percorrida pelos anfíbios pode chegar a 5 quilômetros e as rãs carregam até 10 sapos nas suas costas, uau! Mas o caminho é perigoso e 1/3 não consegue sobreviver as estrapácias da viagem, pois exatamente lá entre florestas e regiões humidas, áreas de proteção e parques nacionais o homem foi construir estradas.
Terra em trânsito
Não conheço outro país que tenha mais auto-estradas que a Alemanha. Situado no meio do continente tem a maior rede de transporte rodoviário da Europa. Este Pais-Alemanha é não é atoa chamado de “Transitland”,“Transit” de trânsito e “Land” de terra, pais. Os seus 357.114,22 km2 de superfície 13% são cortados por estradas e auto-estradas que por elas correm 55.511,374 milhões de carros que servem ao transporte de gente e mercadoria em todas as direções. Com seus 12.044 km de estradas de grande velocidade, só perde para os Eua e China. Na República de Weimar (1918-1933) ja havia planos pra construirem auto-estradas, mas quem levou a fama de construtor foi Hitler em 1930. De lá para cá o pais foi cortado de norte a sul e não ha canto nâo tenha sido rasgado por uma estrada e que não seje alcançado pelas quatro rodas. O progresso custa caro e quem mais sofre as conseqüencias do trânsito infernal são os animais e plantas. Para dar lugar aos carros foram construidas estradas onde anteriormente eram florestas e se os animais querem alcançar o “outro lado” tem que contar com a ajuda dos humanos, como aqui no caso dos anfíbios, para não morrerem atropelados.
Pegando carona
Uma grande rede de comunicação entre os ecologistas cuida para que as ações "salva anfíbios" sejam coordenadas em todo o país nas comunidades locais, e isso todos os anos! Em pontos críticos são colocadas cercas de proteção de plástico (foto) que impedem a travessia direta sobre as estradas.
Os sapos vão pulando ao longo da cerca e lá no finalzinho caem dentro dos baldes-armadilha que serao recolhidos pela manhã e à noitinha e transportados para o outro lado da estrada, onde poderao então seguir caminho até os lugares de desova longe das rodas dos carros. Mas a "causa-mortis" dos anfíbios não pode somente ser atribuida aos pneus. O ar pressionado dos escapamentos fazem com que os sensíveis anfíbios “implodam” literalmente. As perdas em alguns lugares fizeram com que algumas populações de sapos fossem drasticamente reduzidas ou ainda extintas. Por essa razão, a velocidade recomendada nas regiões críticas de migração é de 30 km/h.
Ha outro método de ajudar-los a atravessarem as ruas e estradas: construindo um pequeno túnel por debaixo, mas esta solução ainda é muito cara. Em alguns locais a ação pode ser mais drástica fechando os trechos temporariamente entre 19 e 6 da manhã, horas em que os anfíbios estão ativos.
Um sem número de voluntários participam todos os anos dessas ações de coleta dos baldes. São jovens, aposentados, gente normal que dedica o seu tempo livre para praticarem uma boa ação em favor da natureza. Só as horas trabalhadas desses voluntários somam 5,5 milhões em toda a Alemanha!
As estatísticas da Nabu* para a coleta de anfíbios para o ano de 2008 são as seguintes: De 493 locais em toda a Alemanha em que foram colocadas cercas protetoras, 241 tem monitoramento. Nos 5.213 baldes em 2008 foram coletados 110. 048 anfíbios. Essas informações são até 6/4, data do fechamento deste artigo.
A lagoa ha de secar
As fêmeas põem até mil ovos que ao chocarem e transformarem sapos retornan ao local de desova fechando assim o ciclo da vida. Para a viagem de volta ao local onde nasceram, os anfíbios usam um particular lugar no cérebro que os ajudam a se orientarem em diferentes direções seguindo as estrelas no céu. O sentido de orientação deles é tão apurado que conseguem reconhecer o local de nascimento pelo cheiro. Se a lagoa secou não tem problema: eles se põem a caminho até a mais próxima.
Os anfíbios na Alemanha estão sob as leis de proteção à natureza. São seres muito sensíveis às mudanças climáticas do meio ambiente e principalmente às mudanças químicas causadas por pesticidas e como todos os seres viventes deste planeta são parte importante do eco-sistema.
Eles estão no cardápio de inúmeras espécies de pássaros, como por exemplo, alimento preferido das cegonhas brancas, que se tornaram raras por falta alimento. Aquí todo o esforço é feito para que o maior número deles sobrevivam e sejam vistos pelas gerações futuras. Mas não somente os sapos migram: várias espécies de salamandras vagam a procura de uma nova lagoa.
(foto: salamandra,Triturus vulgaris).
Choveu sapo
A expressao “choveu sapo” por aquí é a associada a migração dos sapos no verão após a chuva, quando milhões deles invadem as estradas. Desejamos vida longa para os príncipes e outros da "família real" dos anfíbios.
NABU: 100 anos de proteção à natureza
A maior organização de proteção à natureza é a NABU, Naturschutzbund Deustschland e.V. possui mais de 450.000 membros em mais de 1500 localidade e que tomam parte de inúmeras ações e campanhas políticas e práticas em favor da natureza. Fazem parte dela também uma imensa rede de agentes, cientistas, preservacionistas, voluntários que coordenam ações em toda a Alemanha. A 100 anos ela é ativa na defesa da natureza. Dentre as ações, por exemplo: caminhadas noturnas com classes escolares para observarem o que eles chamam aquí de “Krötenwanderung” a “Migração dos sapos” fazendo um grande trabalho de educação ambiental. Voltaremos ao tema em outra oportunidade no OPS, pois a NABU merece um artigo à parte. Em sugestão no Editorial do nosso coordenador Rafael Reinher, o tema será tratatdo em um próximo artigo para o OPS em Este Pais-Alemanha “Pequenos mundos, grandes movimentos”. Aguardem.
Fotos: Solange Ayres, exclusivas feitas para o artigo do OPS no Parque Nacional de Eifel, NRW, comarca de Düren, Alemanha.
Fonte: NABU: Naturchutzbund Deutschland e.V.,
Statistiche Ämter des Bundes und der Länder
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