Os paradoxos do câmbio (des)valorizado

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Existe uma idéia geral de que a taxa de câmbio da China está desvalorizada em relação ao Euro,  ao Dólare e também ao Real. Já a taxa de câmbio do Brasil está valorizada em relação a maioria das moedas internacionais. Isto vai se refletir em déficits comerciais em alguns países e superávits em outros.
Mas as contas externas dos países dependem de outros fatores de competitividade. A taxa de câmbio explica muita coisa, mas não explica tudo.
Os Estados Unidos da América (EUA) é o país com os maiores e mais persistentes déficits na balança comercial, apresentando um montante de US$ 700 bilhões, em 2010. Os EUA tiveram déficits com quase todos os países do mundo e somente com a China o déficit foi de quase US$ 300 bilhões em 2010. Isto seria a comprovação de que a moeda chinesa estaria subvalorizada.
Porém, existem outros fatores afetando estas relações. Por exemplo, o Brasil tem apresentado superávits constantes com a China nos últimos anos, mas apresentou déficit comercial com os EUA. Pela lógica do valor da taxa de câmbio, deveria ser o contrário, ou seja, o Brasil deveria ter déficit com a China e não com os EUA.
Além disto, a China embora tenha superávit com a maioria dos países industrializados do Ocidente, tem déficit comercial com o Japão e a Coréia do Sul. Ou seja, para estes países asiáticos o chamado “câmbio desvalorizado” da China não funciona para gerar superávit comercial.
A China também tem grande superávit comercial com os países da Zona do Euro. Mas com a Alemanha existe uma maior equilíbrio no comércio bilateral. Neste caso, mesmo tendo a mesma moeda da França e da Itália, a Alemanha consegue competitividade nas trocas comerciais com a China.
Na verdade, muito da reclamação americana em relação à manipulação cambial por parte da China tem a ver com ao alto nível de consumo e o baixo nível de investimento dos EUA, que são economicamente insustentáveis. O problema do desemprego nos EUA se deve mais à política macroeconômica interna do que a uma manipulação do Yuan, mesmo porque o desemprego americano cresceu no mesmo período que houve uma certa valorização do Yuan.
O Brasil deveria aprender a lição e modificar a sua política macroeconômica, pois juros elevados e baixas taxas de investimento vão no mesmo sentido da perda de competitividade dos EUA e dificultam a transformação do atual modelo de desenvolvimento.
O câmbio brasileiro valorizado – tendo em vista a baixa competitividade internacional – pode até elevar o valor do PIB e tornar a economia brasileira a 6ª ou 5ª do mundo, mas não é uma política compatível no longo prazo no sentido de fazer o páis ficar sustentável em termos sociais e ambientais.
Existe uma idéia geral de que a taxa de câmbio da China está desvalorizada em relação ao Euro,  ao Dólare e também ao Real. Já a taxa de câmbio do Brasil está valorizada em relação a maioria das moedas internacionais. Isto vai se refletir em déficits comerciais em alguns países e superávits em outros.
Mas as contas externas dos países dependem de outros fatores de competitividade. A taxa de câmbio explica muita coisa, mas não explica tudo.
Os Estados Unidos da América (EUA) é o país com os maiores e mais persistentes déficits na balança comercial, apresentando um montante de US$ 700 bilhões, em 2010. Os EUA tiveram déficits com quase todos os países do mundo e somente com a China o déficit foi de quase US$ 300 bilhões em 2010. Isto seria a comprovação de que a moeda chinesa estaria subvalorizada.
Porém, existem outros fatores afetando estas relações. Por exemplo, o Brasil tem apresentado superávits constantes com a China nos últimos anos, mas apresentou déficit comercial com os EUA. Pela lógica do valor da taxa de câmbio, deveria ser o contrário, ou seja, o Brasil deveria ter déficit com a China e não com os EUA.
Além disto, a China embora tenha superávit com a maioria dos países industrializados do Ocidente, tem déficit comercial com o Japão e a Coréia do Sul. Ou seja, para estes países asiáticos o chamado “câmbio desvalorizado” da China não funciona para gerar superávit comercial.
A China também tem grande superávit comercial com os países da Zona do Euro. Mas com a Alemanha existe uma maior equilíbrio no comércio bilateral. Neste caso, mesmo tendo a mesma moeda da França e da Itália, a Alemanha consegue competitividade nas trocas comerciais com a China.
Na verdade, muito da reclamação americana em relação à manipulação cambial por parte da China tem a ver com ao alto nível de consumo e o baixo nível de investimento dos EUA, que são economicamente insustentáveis. O problema do desemprego nos EUA se deve mais à política macroeconômica interna do que a uma manipulação do Yuan, mesmo porque o desemprego americano cresceu no mesmo período que houve uma certa valorização do Yuan.
O Brasil deveria aprender a lição e modificar a sua política macroeconômica, pois juros elevados e baixas taxas de investimento vão no mesmo sentido da perda de competitividade dos EUA e dificultam a transformação do atual modelo de desenvolvimento.
O câmbio brasileiro valorizado – tendo em vista a baixa competitividade internacional – pode até elevar o valor do PIB e tornar a economia brasileira a 6ª ou 5ª do mundo, mas não é uma política compatível no longo prazo no sentido de fazer o páis ficar sustentável em termos sociais e ambientais.


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