Serra versus Dilma versus Marina

Ciência e Humanidades - Demografia

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Já foram realizadas pelo menos quatro pesquisas nacionais sobre intenção de votos para a presidencia da República, em 2010, no Brasil.

Na pesquisa VOX POPULI/BAND, de janeiro de 2010, (com duas mil entrevistas) no cenário 1 da intenção de voto estimulada, com quatro candidatos, os resultados foram: José Serra (PSDB) 34%, Dilma Rousseff (PT) 27%, Ciro Gomes (PSB) 11%, Marina Silva (PV) 6%, Nenhum/Branco/Nulo 10%, NS/NR 12%. Entre os dois primeiros colocados, os resultados regionais apontam para uma liderança de Serra em todas as regiões, menos no Nordeste onde Dilma aparecia na frente. Na variável sexo Serra apresentava 34% no masculino e 32% no feminino, enquanto Dilma apresentava 32% no masculino e apenas 22% entre o sexo feminino. Isto quer dizer que a distribuição dos votos de Serra está mais igualitária em termos de sexo, enquanto Dilma tem uma desvantagem muito grande entre as mulheres. Este ponto, certamente, merece maior analise e acompanhamento durante o ano. Também merece atenção especial o fato de que as mulheres apresentam maiores percentagens na opção nenhum/branco/nulo e também na opção não sabe/não respondeu (NS/NR). Ou seja, as mulheres estão mais propensas a não sufragar nenhum candidato (anular o voto) e são maioria entre os indecisos. Isto quer dizer que elas demoram mais para decidir? Em termos de idade, Serra aparece à frente em todos os grupos, exceto entre 25-29 anos onde há empate com Dilma. Serra aparece na frente em todos os grupos educacionais da pesquisa. Serra aparece na frente em todas as faixas de renda, exceto na faixa de 0-1 SM em que Dilma lidera.

A pesquisa SENSUS/CNT, realizada entre 25 a 29 de Janeiro de 2010, com uma amostra de 2000 questionários, apresentou os seguintes resultados: José Serra (PSDB) 33,2%, Dilma Rousseff (PT) 27,8%, Ciro Gomes (PSB) 11,9%, Marina Silva (PV) 6,8%, Nenhum/Branco/Nulo 10,5%, NS/NR 9,9%.

Pesquisa DATAFOLHA, realizada  entre os dia 24 e 25 de fevereiro, com 2.623 entrevistas em 144 municípios, apresentou na intenção de voto estimulada, em um cenário com quatro candidatos, os seguintes resultados: José Serra (PSDB) 32%, Dilma Rousseff (PT) 28%, Ciro Gomes (PSB) 12%, Marina Silva (PV) 8%, Nenhum/Branco/Nulo 9%, NS/NR 10%. Assim, como na pesquisa Vox Populi, entre os dois primeiros colocados, Serra aparece na frente em todas as regiões, menos o Nordeste. Na variável sexo, Serra e Dilma estavam empatados com 32% entre os homens e Serra apresentava 33% no feminino, enquanto Dilma apresentava apenas 24% no sexo feminino. Isto quer dizer que Serra tinha mais votos entre as mulheres, enquanto Dilma tem melhor desempenho entre os homens. Da mesmo forma as mulheres apresentam maiores percentagens na opção nenhum/branco/nulo e também na opção não sabe/não respondeu (NS/NR). Ou seja, novamente fica clara a tendência de das mulheres estarem mais propensas a não sufragar nenhum candidato (anular o voto) e serem maioria entre os indecisos. Em termos de idade, Serra aparece à frente em todos os grupos, exceto no grupo etário 45-59 anos onde Dilma vence (29% a 26%). Serra aparece na frente em todos os grupos educacionais e de renda divulgados pela pesquisa (nota-se que os agrupamentos de educação e renda são diferentes entre as pesquisas). Todos os candidatos apresentam maior intenção de voto para variável se participa da PEA. Para os eleitores que não participam da PEA o percentual de indecisos (que responderam não sabe na intenção de voto) é de 15%, contra 8% para os que estão na PEA.

A pesquisa IBOPE/CNI realizada de 6 a 10 de março com 2002 entrevistas em 140 municípios. Na intenção de voto estimulada, em um cenário com quatro candidatos, os resultados foram: José Serra (PSDB) 35%, Dilma Rousseff (PT) 30%, Ciro Gomes (PSB) 11%, Marina Silva (PV) 6%, Nenhum/Branco/Nulo 10%, NS/NR 8%. Como nas duas pesquisas anteriores, entre os dois primeiros colocados, os resultados regionais apontam para uma liderança de Serra em todas as regiões, menos no Nordeste onde Dilma aparecia na frente. Na variável sexo, pela primeira vez, Dilma aparece na frente para o sexo masculino (36% contra 34%), enquanto Serra apresentava 37% contra 25% de Dilma entre as mulheres. Isto quer dizer que Serra tem mais votos entre as mulheres, enquanto Dilma tem uma desvantagem ainda maior entre as mulheres do que nas pesquisas anteriores. Este ponto, certamente, merece maior analise para avaliar se existe resistência das mulheres em votar em mulher ou qual é a explicação para este fenômeno. Também, como nas pesquisas anteriores, as mulheres apresentam maiores percentagens na opção nenhum/branco/nulo e também na opção não sabe/não respondeu (NS/NR). Em termos de idade, Serra aparece à frente em todos os grupos, exceto entre 40-49 anos onde Dilma está na frente. Serra aparece na frente em todos os grupos educacionais da pesquisa, menos no segmento de 5 a 8 série do ensino fundamental. Como na pesquisa Vox Populi, Serra aparece na frente em todas as faixas de renda, exceto na faixa de 0-1 SM em que Dilma lidera. Outras pesquisas já mostraram que Dilma tem a maioria dos votos dos beneficiários do Programa Bolsa Família

As quatro pesquisas mostram uma estabilidade do candidato José Serra e uma subida constante da candidata Dilma Rousseff, em especial entre os eleitores que apoiam o governo Lula. Este fato sugere que a eleição presidencial de 2010 será polarizada entre Serra e Dilma, com maiores chances para a candidata apoiada pelas forças situacionistas. O candidato Ciro Gomes provavelmente não encontrará espaço para manter a sua candidatura, pois o campo governista já está ocupado. A candidata Marina Silva tem potencial de crescimento e deve ter um reconhecimento importante do eleitorado, provavelmente tendo mais votos do que teve Heloisa Helena em 2006 (que foi a mulher que já obteve mais votos para a presidencia da República na história do país). Provavelmente haverá mais 6 ou 8 candidatos nanicos disputando as eleições presidenciais de 2010. Mas o potencial destes não passa do limite de 3% dos votos. Portanto, as eleições de 2010 serão polarizadas entre Serra e Dilma, com Marina fazendo um importante contraponto, especialmente na questão do meio ambiente.


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José Walter Toledo Silva  - Por que Dilma ultrapassa Serra |27-06-2010 17:33:41
24.6.10
Por que Dilma ultrapassa Serra nas pesquisas de preferência
Reflexões sobre marketing político

José Walter Toledo Silva


Não me causa surpresa Dilma ter ultrapassado Serra nas pesquisas de opinião, conforme noticiam os jornais de hoje, dia 24/06 /2010.


A tendência de se acentuar a dianteira dela parece-me clara.


Não trato aqui de quem poderá ser o melhor presidente.


Reflito, sim, sobre as causas prováveis da preferência dos eleitores.


Esta se deve, em grande parte, à superioridade do marketing da Dilma e aos graves erros de marketing do Serra.


O pior marketing de Serra em relação ao PT já se fez notar quando ele perdeu as eleições de 2002 para Lula, obtendo apenas 38,7% dos votos contra os 61,3% de Lula.


Em 2006, o PSDB, com Geraldo Alckmin, sofre nova derrota para Lula, obtendo apenas 39,2% dos votos, contra 60,8% para Lula.


Em junho de 2010, Lula é o mais popular presidente da história do Brasil e em todo o mundo. Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo sua nota média chegou a 7,8, o percentual dos eleitores que acham sua gestão ótima ou boa é de 75% e 86% aprovam sua maneira de governar.


Em números redondos: há 130 milhões de eleitores no Brasil, dos quais 112 milhões aprovam o modo de governar do atual governo. Esse nível de apoio inédito implica em elevada, senão majoritária aprovação do governo em todos os segmentos geográficos, sócio-econômicos, culturais, etários.


Assim, Serra e o PSDB sabem que dependem da conversão dos eleitores que apóiam o atual governo para se eleger, mas, com base nesse fato, cometem o erro estratégico fatal de não atacar clara e agressivamente, ponto por ponto, políticas do governo com as quais não estão de acordo, esclarecendo suas propostas alternativas. O medo de atacar políticas de um governo com excepcional popularidade faz o tiro sair pela culatra.


É praticamente impossível lutar contra o carisma do presidente que se reflete em sua candidata. (A transferência de popularidade têm sempre ocorrido em nossa política, sendo exemplos clássicos em São Paulo o efeito Ademar para eleger Garcez, Jânio para eleger Carvalho Pinto e Maluf para eleger Pitta).


Em política e em religião, as preferências do público são primordialmente determinadas por crenças, pelas promessas que lhes atraem e pela credibilidade que conferem às mesmas.


Assim, está certo que a oposição poupe ataques às pessoas dos governantes, mas está errado que deixe de identificar áreas de conflitos e as soluções propostas, deslocando o debate, tanto quanto possível, do terreno pessoal para políticas de interesse público.


A aceitação de Lula/Dilma deve-se à capacidade deles, superior à da oposição, de colocar o foco em identificar e abordar com melhor comunicação, pontos-chave de interesse público.


Todos buscam renda, emprego, segurança. As propostas específicas da oposição nessas áreas precisariam ser melhores e transmitir mais credibilidade que as do governo, para trazer resultados em preferência dos eleitores.


Economia, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Energia, Relações Internacionais, Infra-Estrutura em diversos setores, Defesa, são áreas que requerem claras definições de políticas comunicadas com clareza, em linguagem que sensibilize o público, mas estas questões não podem tirar o foco daquelas de interesse primordial, acima mencionandas.


Há vários aspectos de marketing político de sucesso que requerem atenção, como imagem dos candidatos e de sua entourage em suas aparições públicas, conteúdo da propaganda e veículos utilizados para disseminá-la. Se é difícil estabelecer qual o posicionamento de imagem que atrai o público, é certo que um posicionamento firme e consistente produz mais resultados do que postura hesitante e amorfa.


A maior utilização de mídia local por Dilma é uma vantagem que a aproxima mais do eleitor.


A sigla e emblemática do PT é mais enfática, mais fácil de lembrar, apresentando significado mais compreensível que a do PSDB.

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