Ciência e Humanidades - Demografia

No dia 18 de novembro, o Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA – divulgou o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2009, intitulado “Enfrentando um mundo em transição: mulheres, população e clima”. O relatório afirma que: “As dinâmicas populacionais, e em especial o papel das mulheres, são elementos fundamentais para o estabelecimento de um acordo efetivo e de longo prazo para enfrentar as mudanças climáticas”.
O representante do UNFPA no Brasil, Harold Robinson, afirma que: “As mudanças climáticas são um problema humano provocado pela atividade humana. Embora sejamos afetados por elas e tenhamos que nos adaptar, podemos reverter esse processo”.
O Relatório reconhece que o crescimento populacional é um dos fatores que contribuem para o volume de emissões totais. Mas as maiores emissões não ocorrem onde há taxas mais elevadas de crescimento demográfico. Maiores emissões ocorrem onde o consumo médio per capita de energia e de materiais é mais elevado, como é o caso dos países mais desenvolvidos. Porém, a China – que é o país mais populoso do mundo – passou a liderar a emissão de gazes poluentes à medida em que acelerou suas taxas de crescimento econômico e mantém uma matriz energética poluidora e que tem como base o petróleo e o carvão mineral e vegetal.
O Relatório demonstra que, em escala mundial, os pobres estão em situação mais vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, como, por exemplo, secas ou chuvas em excesso e suas conseqüências, desabamentos e inundações. As mulheres, que são a maioria dos 1,5 bilhão de pessoas em situação de pobreza, sofrem as piores consequências das instabilidades climáticas. Em geral, elas têm menores oportunidades de emprego e renda, menor mobilidade e estão mais expostas aos desastres naturais. Neste sentido, “a luta da comunidade internacional contra a mudança climática terá maiores chances de ser bem sucedida se as políticas públicas, programas e tratados levarem em consideração as necessidades, direitos e potencialidades das mulheres”.
O Relatório reconhece que não só o crescimento demográfico, mas também a estrutura de idades em uma sociedade e a composição familiar influenciam de maneira importante na mudança climática. Há um crescente entendimento de que o crescimento dos domicílios unipessoais, provocados em alguns casos por separações e divórcios, pode gerar mais emissões de gases do efeito estufa que um nascimento, já que uma família se divide (e não há recasamento) representa a formação de dois lares, provavelmente dois carros e, em geral, uma situação que significa praticamente duplicar o consumo de energia doméstica e de outros bens e serviços.
Em artigo recente, Ojima e Carvalho (2009) também realçam o papel da dinâmica populacional e os novos arranjos dos domicílios e consideram importante aprofundar o estudo das mudanças na esfera da família e gênero e suas relações com as mudanças ambientais: “Enfim, é importante colocar na agenda de pesquisa abordagens inter-disciplinares que incorporem as complexidades que não são apenas inerentes à temática socioambiental, mas, sobretudo, ao caso brasileiro e latino-americano. Assim, incluir uma abordagem de gênero e família aos estudos desenvolvidos na área de população, espaço e ambiente é uma tarefa tão complexa quanto potencialmente produtiva, mas essa tarefa poderá gerar resultados mais promissores na medida em que haja colaboração entre as áreas de pesquisa” (p. 12).
Referência:
O Relatório sobre a Situação da População Mundial 2009: “Enfrentando um mundo em transição: mulheres, população e clima”, pode ser acessado no seguinte endereço: www.unfpa.org.br
O texto “Gênero, família e meio ambiente: limites e perspectivas para o campo dos
estudos de população” (2009) de Ricardo Ojima e Regiane Lucinda de Carvalho pode ser acessado em: http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/outros/gtgenero_2009/ojima_carvalho.pdf
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