Dominação masculina e sexismo

Ciência e Humanidades - Demografia

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A dominação masculina se exerce, dentre outras formas, pela violencia simbólica e por um discurso sexista que discrimina mulheres e outras identidades.

As relações de gênero funcionam por meio de um sistema de signos e simbolos que representam normas, valores e práticas que transformam as diferenças sexuais de homens e mulheres em desigualdades sociais, sendo estas tomadas de maneira hierarquica e valorizando o masculino sobre o feminino.

Além das normas e valores, tem-se a violência física contra as mulheres que é um problema mundial e contra a qual se tem traçado diversas políticas públicas. Existem, ainda, outras formas violência e violação de direitos das mulheres, quer seja através da discriminação ocupacional e salarial no mercado de trabalho, da falta de assistência integral à saúde, da exclusão feminina dos cargos de direção, do assédio sexual etc. Ademais, existe também uma violência simbólica que não é percebida, necessariamente, como uma forma agressiva de se manter e perpetuar as desigualdades sociais e individuais entre os gêneros.

No inconsciente coletivo da nossa sociedade essa forma de violência interiorizada serve de substrato para as desigualdades e assimetrias existentes entre homens e mulheres. Pierre Bourdieu, em seu livro “A dominação masculina” discorre sobre o conceito de “violência simbólica” que é uma forma de “violência suave, insensível, invisível a suas próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento”. Numa perspectiva que considera o gênero como o sexo socialmente construído, o autor busca desconstruir a “sociedade androcêntrica” devolvendo à diferença entre o masculino e o feminino seu caráter arbitrário, contingente, cultural e histórico.
 
Bourdieu mostra que os princípios de visão e divisão sexual parecem estar “na ordem das coisas”, inseridos em um sistema de oposições homólogas: alto/baixo, em cima/embaixo, fora(público)/dentro(privado), duro/mole etc. Estas oposições são revestidas de significação social – “o movimento para o alto sendo, por exemplo, associado ao masculino, como a ereção, ou a posição superior no ato sexual”. Esta divisão sexuada “está presente, ao mesmo tempo, em estado objetivado nas coisas, em todo o mundo social e, em estado incorporado, nos corpos e nos habitus dos agentes, funcionando como sistemas de esquemas de percepção, de pensamento e ação”.

A importância da contribuição de Bourdieu está na revelação do “poder hipnótico” da dominação masculina que se impõe através de uma violência simbólica – sem o uso da força física, mas não menos danosa – que des-historiciza as relações sociais. Por exemplo: a exclusão da mulher do mundo público e a tentativa de seu confinamento no mundo privado/doméstico ganha, desta maneira, uma tonalidade essencialista. Oposições tais como: fora(pênis)/dentro(vagina), ativo(penetrar)/passivo(ser penetrado), foder(macho) /fodido(mulher e veado) assumem um papel preponderante numa hierarquia de valores onde o polo positivo é aquele representado pelo homem-público-ativo-forte-potente-guerreiro-racional e o polo negativo pela mulher-doméstica-passiva-fraca-impotente-pacífica-emocional.
 
Estes estereótipos de gênero são utilizados nas práticas discursivas e passam a fazer parte da produção dos sentidos. O discurso sexista se apropria destes pré-conceitos e através do jogo de ilusões/alusões apresenta, de forma explícita ou sub-reptícia, a polaridade de valores culturais e históricos como se fossem diferenças oriundas da anatomia ou de propriedades biológicas. Uma das conseqüências da dominação masculina e do discurso sexista é o reforço da exclusão da mulher da direção dos partidos políticos e do núcleo de poder dos sindicatos e associações. As próprias mulheres reproduzem a dominação masculina ao reconhecerem, de forma resignada, a aptidão dos homens à liderança e à oratória.

Em nome de uma linguagem popular e de uma luta política mais ampla, muitas lideranças políticas e sindicais adotam o discurso sexista que reforça a dominação masculina e é profundamente discriminatório contra as mulheres e homossexuais. Reforçam, desta forma, os estereótipos de gênero e atacam os direitos sexuais ao associar os “ativos” aos valores de superioridade e os “passivos” aos valores de inferioridade. Nesse sistema de significações, o sexo/gênero está relacionado a conteúdos culturais de acordo com hierarquias sociais polarizadas de forma pejorativa e estigmatizante. Neste campo, a livre opção sexual, quando aceita, passa a ser uma questão da esfera privada. Na vida pública, só um tipo de representação político-sexual é aceitável - aquela que alguns definem como sendo a política dos que têm “saco roxo”.

A simbologia do discurso sexista que predomina no meio político e sindical, faz com que violência física, violação de direitos, constrangimento sexual e violência simbólica se juntam para reforçar as assimetrias de gênero que são transversais às demais desigualdades sociais. Some-se, assim, à dominação social a dominação sexual histórica, isto é, a dominação masculina. Os valores masculinos estão presentes no inconsciente cultural coletivo e são resgatados por práticas discursivas com viés sexista. O primado da masculinidade, que não se confunde com a homogeneidade dos homens, apenas enfeixa os signos e valores hegemônicos do masculino para perpetuar a ordem iníqua do sistema sexo/gênero.



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Valdiclea  - TCC |12-03-2010 14:55:36
Olá! sou estudante de Ciências Sociais em fase de conclusão de curso, querido observei o texto dominação masculina e sexismo gostaria de saber se você poderia indicar referenciais teoricos sobre o tema.


clea_itb@hotmail.com
José Eustáquio Diniz Alves |13-03-2010 09:06:51
avatar Olá Valdiclea

Veja o texto A linguagem e as representações da masculinidade. Disponivel em:
http://www.ence.ibge.gov.br/publicacoes/textos_para_discussao/textos/texto_11.pdf

Nas citações bibliograficas do texto voce pode encontrar outras referencias.

Abs, JE
Ruth Léa  - Oi. Parabéns pelo texto, É possível você me indica |01-08-2010 14:53:22
Lúcio Sátiro |14-10-2010 16:48:04
A realidade é que a vida tem uma regra básica.Quem faz algo primeiro, quem pensa em algo primeiro, sempre é líder, tem mais chances de se firmar. Nós, homens, fomos os primeiros em tudo, e numa época em que não haviam preceitos morais, nós é que saíamos para enfrentar mamutes e tigres dente de sabre.Nós é que descobrimos o fogo, criamos a roda, inventamos toda a Ciência (em todas as áreas),a escrita, eletricidade, computadores,meios de transporte, revoluções industriais, artes, obras arquitetônicas,leis,papel, armas, TUDO,TUDO.
Em 2 milhões de anos, as mulheres infelizmente não foram capazes de mostrar, efetivamente a sua contribuição para o progresso da humanidade. A excessão é apenas parir, habilidade única dela.Ainda assim a natureza (ou Deus, quem sabe) nos fez tão dominantes que é comprovado que mulheres sentem tesão por que o corpo feminino produz pequena quantidade de testosterona.
Em meio a tanta violência no mundo atual, a mídia spo enfatiza a violência contra a mulher, embora ela seja reprovável. Todos se esquecem de que todos os dias só no Brasil, morrem muitíssimos mais homens que mulheres e crianças. Estatísticas mostram que 93% dos acidentes de trabalho vitimam HOMENS.E agora recente, no ano de 2008, foi publicado um estudo pela Fapesp que comprova que MULHERES AGRIDEM MAIS DO QUE HOMENS NOS RELACIONAMENTOS.
Acontece que no casos da agressão masculina, é mais violenta, por nossa própria força animal ,que tantas vezes também é útil na defesa e na ajuda das próprias mulheres, como para trocar pneus, carregar objetos pesados e outros serviços insalubres.
Bestialmente a vida dos homens hoje é coisificada. A violência só vale quando é contra a mulher. As pessoas vem a blogs como esse escrever baboseiras, sem estudar os fatos a fundo, pois se estudasse a sério teria encontrado no Google o estudo da Fapesp e isso não é só.Tenho conhecimento de muitos casais em que as mulheres agridem bem mais os homens, não apenas fisicamente, mas, o que é pior, psicologicamente, atacando através de insinuações a dignidade, a virildiade e a honra, que são os valores que um, homem mais preza. Hoje em dia, se qualquer homem ousa discordar de uma mulher é taxado de machista, misógino, retrógado e isso é violência verbal e psicológica.
A violência da mulher contra o homem existe e é muito real, só não é estudada a fundo por que é escondida. Um homem que ouse ir a uma delegacia denunciar sua mulher, é imediatamente ridicularizado pelos próprios policiais, que vão rir da cara do sujeito. Vi isso acontecer em Fortaleza.
Mulheres tem muto mais direitos que homens.A elas é garantida maior ênfase em programas de saúde do Governo, elas tem delegacia própria, pagam menos em festas,foram e são cantadas em prosa e verso por artistas,é chamado de o belo sexo, se aposentam mais cedo e vivem em média 7 anos mais que o homem...que "opressão" masculina é essa, onde o opressor tem menos direitos , vive menos e é mais agredido ?
Desde que elas queimaram sutiãs baratos em Nova Yorque e Paris, muitas, hippies cheias de maconha que iam no ôba ôba de questionar tudo, já se passaram 50 anos.
De lá para cá as universidades, os institutos, os laboratórios estiveram sempre abertos para recebe-las. Por que NUNCA criaram algo ? Por que não fazem jus ao seu desejo de igualdade e respeito ? Por que nunca contribuiram eficientemente ao desenvolvimento da humanidade ? 50 anos !! Pra quem passa o tempo a reclamar e discriminar os homens, já era mais do que tempo pra terem mostrado serviço.
Além do estudo da Fapesp, vemos todos os dias notícias de mulheres que cometem as seguintes violências e que o senhor convenientemente se esquece de considerar: estraçalhar um bebê dentro da p´ropria barriga com objetos de ferro num aborto, quando deveriam dar carinho e proteger; espancar idosos e inválidos, espancar crianças novinhas que como empregadas tinham o dever de cuidar; serem chefes de quadrilha, como a que trocou tiros com os policiais do Rio mês passado; formarem quadrilhas para sabotarem o Detran como mostrado nos jornais essa semana; Cortarem fora os pênis dos maridos quando estes dormem, sem chances de defesa;Unirem-se às Farc, como holandesas fizeram e mutos outros.
Seria altamente estúpido querer com isso, legitimar a violência contra a mulher, uma vez que eu sou amante da paz e odeio violência contra qualquer ser humano (mulheres no meio, elas não são melhores que ninguém).
Continuo batendo na mesma tecla: mulheres, à exemplo de Madame Currie, Nobel em Química, quando querem sabem se destacar sem precisar abrir as pernas.Nunca vi uma mulher média lendo Maquiavel, Platão, Sócrates, Aristóteles, nem Sun Tzu. Mas quando estão dispostas a aprender, vão longe. então fica o seguinte dilema:
Ou a maioria das mulheres tem inteligência muito pequena que impediu elas de desenvolverem pelo menos um chip..ou se são inteligentes iguais a nós, e não fizeram nada pra nos ajudar a dividir as responsabilidades nas civilizações que foram criadas, são irresponsáveis.
Qual luva será que irão querer usar ?

Gilberto Agostinho |14-10-2010 17:37:19
avatar Arts

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Grazia Deledda - Sardinia (Writer, Nobel Prize Winner)
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Dorothea Beale - England (Pioneer of Women's Education)
Amelie Beese - Germany (Aviator)
Elfi von Dassanowsky - Austria (Film Studio Founder, Producer, Musician)
Melanie Klein - Austria (Psychoanalyst)
Kathleen Kenyon - England (Archaeologist)
Julia Morgan - United States (Architect)
Emily Warren Roebling - United States (Engineer)
Margaret Mead - United States (Anthropologist)

PS: Homem médio lendo Maquiavel, Platão, Sócrates, Aristóteles? Ah, meu amigo...
Lucas Silva  - re: |17-01-2011 15:49:14
Gilberto Agostinho Escreveu:
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Melanie Klein - Austria (Psychoanalyst)
Kathleen Kenyon - England (Archaeologist)
Julia Morgan - United States (Architect)
Emily Warren Roebling - United States (Engineer)
Margaret Mead - United States (Anthropologist)

PS: Homem médio lendo Maquiavel, Platão, Sócrates, Aristóteles? Ah, meu amigo...


nenhuma delas foram pioneiras em nada disso ai, simplesmente se destacaram em algo que já existia e que foi inventado por homens, sem contar que a maior parte dos destaques da lista está nas ARTES E POLITICAS, e só!
José Eustáquio Diniz Alves  - Misoginia |17-01-2011 19:31:34
avatar Olá,

O sexismo e o racismo são atitudes abomináveis e passíveis de interpelação judicial. Ou seja, são crimes. Não sei o que leva uma pessoa a ficar destilando suas frustações contra as mulheres. O G. Agostinho mostrou uma lista enorme de mulheres de destaque. Mas mesmo que não houvesse esta lista, isto não provaria que as mulheres são menos capazes. Apenas mostraria que a exclusão feminina é muito grande na sociedade.
Lucas SIlva  - re: Misoginia |22-01-2011 17:30:57
José Eustáquio Diniz Alves Escreveu:
Olá,

O sexismo e o racismo são atitudes abomináveis e passíveis de interpelação judicial. Ou seja, são crimes. Não sei o que leva uma pessoa a ficar destilando suas frustações contra as mulheres. O G. Agostinho mostrou uma lista enorme de mulheres de destaque. Mas mesmo que não houvesse esta lista, isto não provaria que as mulheres são menos capazes. Apenas mostraria que a exclusão feminina é muito grande na sociedade.


É pelo jeito a hopicrisia e a unilateralidade reina solta por aqui, constatar um fato histórico agora virou "sexismo" e passivel de ser criminalizado, e quanto ao preconceito contra o homem, a misandría??

e outra, se as mulheres são tão capazes assim, por que é que em mais de 100 anos de feminismo, de emancipação ainda não vimos nada revolucionário advindo delas?? acho que antes de emitir uma opinião sobre qualquer coisa, deveriam parar de ler a cartilha feminista e estudarem mais história do mundo!!
Lucas SIlva  - re: Misoginia |22-01-2011 17:35:59
José Eustáquio Diniz Alves Escreveu:
Olá,

O sexismo e o racismo são atitudes abomináveis e passíveis de interpelação judicial. Ou seja, são crimes. Não sei o que leva uma pessoa a ficar destilando suas frustações contra as mulheres. O G. Agostinho mostrou uma lista enorme de mulheres de destaque. Mas mesmo que não houvesse esta lista, isto não provaria que as mulheres são menos capazes. Apenas mostraria que a exclusão feminina é muito grande na sociedade.


agora eu te pergunto, por que é que a exclusão feminina continua grande na sociedade se hoje em dia a maioria das leis favorecem mais a elas do que aos homens?? acho que tem alguma coisa errada em sua afirmação, visto que o que vejo é que a mulher hoje em dia tem muito mais liberdade do que o homem e muito menos responsabilidade!!
José Eustáquio Diniz Alves  - Cientistas |23-01-2011 13:40:07
avatar Prezado,

Existem milhares e milhões de mulheres cientistas. Gostaria apenas de citar uma que fez um trabalho fantástico para reduzir a fome no mundo, para defender o meio ambiente e para fazer o Brasil economizar bilhões de dólares de importação de produtos químicos e fertilizantes.

Trata-se da agrônoma Johanna Döbereiner, que comandou uma equipe de trinta cientistas em um departamento da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária -, situado ao lado do campus da Universidade Rural do Rio de Janeiro, na cidade de Seropédica, RJ. Essa equipe estudou e desenvolveu técnica de fixação de nitrogênio por bactérias em plantas leguminosas e gramíneas. A fixação de nitrogênio por bactérias é uma forma de nutrição natural, que substitui o uso de adubo nitrogenado como fertilizante nas plantações.
Lucas Silva  - re: Cientistas |16-02-2011 18:20:30
José Eustáquio Diniz Alves Escreveu:
Prezado,

Existem milhares e milhões de mulheres cientistas. Gostaria apenas de citar uma que fez um trabalho fantástico para reduzir a fome no mundo, para defender o meio ambiente e para fazer o Brasil economizar bilhões de dólares de importação de produtos químicos e fertilizantes.

Trata-se da agrônoma Johanna Döbereiner, que comandou uma equipe de trinta cientistas em um departamento da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária -, situado ao lado do campus da Universidade Rural do Rio de Janeiro, na cidade de Seropédica, RJ. Essa equipe estudou e desenvolveu técnica de fixação de nitrogênio por bactérias em plantas leguminosas e gramíneas. A fixação de nitrogênio por bactérias é uma forma de nutrição natural, que substitui o uso de adubo nitrogenado como fertilizante nas plantações.


tá amigomas você não respondeu a minha pergunta lá em cima, por que é que em tantos anos de feminismo o número de mulheres realizando grandes feitos ainda é ínfimo, sendo que ultimamente elas tem muito mais liberdade de evoluirem do que antigamente???
Lucas Silva  - re: Misoginia |16-02-2011 18:27:16
José Eustáquio Diniz Alves Escreveu:
Olá,

O sexismo e o racismo são atitudes abomináveis e passíveis de interpelação judicial. Ou seja, são crimes. Não sei o que leva uma pessoa a ficar destilando suas frustações contra as mulheres. O G. Agostinho mostrou uma lista enorme de mulheres de destaque. Mas mesmo que não houvesse esta lista, isto não provaria que as mulheres são menos capazes. Apenas mostraria que a exclusão feminina é muito grande na sociedade.


se você acha, então devia interpelar judicialmente o autor do artigo em questão visto que o mesmo atribui uma imagem de carrasco falsa a classe masculina e creio que sexismo seja multilareal né??!
Me tuíta!
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