DINC: o casal de dupla renda e sem filhos

Ciência e Humanidades - Demografia

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Os casais sem filhos, em que o chefe e o cônjuge possuem renda, é um tipo de arranjo familiar que tem crescido muito nos últimos anos, sendo constituídos de indivíduos com maior nível educacional, de renda e de consumo.

DINC é o acrônimo de Duplo Ingresso, Nenhuma Criança (ou em ingles Double Income, No Children). São casais de dupla renda e que não possuem filhos. Em 1997 existiam cerca de um milhão de casais DINC no Brasil, passando para dois milhões em 2007, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD – do IBGE.

O casal DINC cresce no mundo todo e no Brasil devido à conjugação de duas tendências:

1) queda das taxas de fecundidade e aumento do número de pessoas que não querem ter filhos;
2) aumento da participação feminina no mercado de trabalho e redução da parcela de mulheres dedicadas exclusivamente aos afazeres domésticos;

Os casais de dupla renda e sem filhos podem ser de sexos diferentes (heterossexuais) ou do mesmo sexo (homossexuais). No primeiro caso, podem não ter filhos por opção ou vontade de um ou dos dois parceiros ou por razões involuntárias, como a infertilidade de pelo menos um dos conjuges. Contudo, um casal infértil pode adotar uma criança e deixar de ser DINC. Para os casais homossexuais, existe a possibilidade da reprodução assistida (fertilização em vitro), no caso das lésbicas via obtenção de um doador de esperma e no caso dos gays via doação de óvulo e de uma “barriga de aluguel”. Os casais DINC homossexuais também possuem a alternaiva de homoparentalidade por meio de adoção de uma criança.

Existem casais DINC em que apenas um dos conjuges trabalha e o outro possui renda de outro tipo (como aluguéis, participação em lucros, etc.). Existem casais DINC que os dois já são aposentados e não trabalham mais. Mas a grande maioria dos atuais casais DINC heterossexuais apontados pela pesquisa do IBGE são constituidos de casal que trabalha, são relativamente jovens, tem maior nível educacional do que a média, moram em áreas urbanas das regiões Sul e Sudeste e possuem renda média domiciliar per capita bem mais elevada dos que a dos outros arranjos familiares.

O crescimento dos casais sem filhos e em que os dois trabalham tende a crescer, pois a vida atual oferece muitas alternativas de ocupação e lazer além do cuidado da casa e das sucessivas gerações. O casal DINC parece se adaptar melhor aos novos parâmetros da sociedade pós-moderna fortemente caracterizada pelo hedonismo e o consumismo, com forte predominância dos valores do individualismo.

As pessoas atualmente não dependem tão fortemente da família consanguinia e, sem o compromisso do cuidado dos filhos, podem se relacionar de maneira mais dinâmica com o resto da sociedade, mostrando mais mobilidade e menor dependência dos parentes. Praticamente não existem casais DINC na pobreza e nem nos programas de transferência de renda do governo, pois eles possuem uma mobilidade ascendente. Ver artigo de Barros, Alves e Cavenaghi (2008) no link:
http://www.abep.org.br/usuario/GerenciaNavegacao.php?caderno_id=504&nivel=1

O casal DINC se constitui em um caso paradigmático de família que se adapta melhor aos parâmetros da sociedade pós-moderna, mas, que se for seguido de maneira universal, significará uma brutal redução da população, pois, ao não terem filhos, a sucessão de gerações é interrompida.



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Solange Ayres  - O desaparecimento da tia e do tio |01-02-2009 12:28:00
avatar Este fenomeno é tipico da Alemanha.A sociedade cresceu apos a guerra e muitos casais nao quiseram ter filhos pelo medo de seus filhos servirem de aquí do chamado "Kanonenfütter";, isto é "alimento para os canhoes de guerra". Outro fator a prosperidade dos anos 80 e 90 fez com que as pessoas se tornassem extremamentes individualistas.O povo quer mesmo: "Wir wollen das Leben genißen" ou "Nós queremos aproveitar a vida", frase muito ouvida por aquí. Viagens, carros, casa os alemaes teem tudo e nao querem "responsabilidades nem dores dores de cabeca". Tudo que escrevo aquí ja ouvi mais de mil vezes no meu contato diário com alemaes.
O problema do envelhecimento da populacao é conhecido e ha diversos "incentivos fiscais" para que os casais tenham filhos, em vao. Se os pais estao desempregados como sera a situacao dos filhos? Assim justificam eles para nao ter filhos. Mesmo com a entrada de imigrantes da Uniao Européia a Alemanha tera em pouquíssimo tempo falta de mao de obra e diversas áreas, principalmente na tecnológica.Outro dia um cliente meu observou que ele nao tinha tia nem tio, pois era filho único e a sua filha também nao teria tios, pois era filha única e assim era em toda a pequena família.
Um abraco.
Solange
Rafael Reinehr  - A volta do bando, da tribo |01-02-2009 15:30:36
avatar Como disse Hakim Bey, em sua obra maior TAZ - Zona Autônoma Temporária:

Citou:
Em contraponto à família nuclear, surgida com a revolução agrícola, ressurge a figura do bando, grupos de afinidades compostos por amigos, ex-esposos e amantes, pessoas conhecidas em diferentes empregos e encontros, redes de pessoas com interesses específicos, listas de discussão...


(este texto é do início da década de 90, e reflete esta tendência que agora aparece cada vez mais entre nossos jovens e caminha para se tornar padrão em algumas décadas)
José Eustáquio  - Retirada da procriação |07-02-2009 10:35:53
Sandra e Rafael,

Tanto o fenômeno do casal DINC (heterossexual ou homossexual) quanto o fenômeno das pessoas que vivem sozinhas e que não querem ter filhos, faz parte da chamada Terceira Transição Demográfica que se caracteriza por um alto percentual de pessoas que optam pela fecundidade zero.
dida |17-04-2012 14:39:02
Acho perfeitamente válido que alguém não queira ter filhos e ter direito a ser respeitado nessa decisão. Não se pode obrigar as pessoas a ter filhos para garantir as reformas, é um absurdo, pois obrigar alguem a fazer algo que não quer é chama-se ditadura. Os governos, a inovação e a tecnologia é que tem a obrigação de garantir acções para isso. Afinal diz se que há gente a mais, e que há recursos sobre pressão...afinal como , em que ficamos? Pode ser que com a ascensão cada vez maior da tecnologia e a substituição do trabalho humano pelas máquinas cada vez mais, acabe por revelar que a tecnologia poderá providenciar força de trabalho suficiente e ser desnecessário tanta gente. Há 10 ou 20 anos, trabalhos que se julgavam garantias tem desaparecido do mercado devido a tecnologia. A mão de obra humana será cada vez mais qualificada mas menos em quantidade, e não se quer milhões de desempregados a vaguear pelas ruas, pois não?.. Cabe aos governos e aos projectos de inovação de ponta tirar o melhor dos recursos de forma sustentável, para garantir um mundo melhor..
Me tuíta!
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