Blowin' In The Wind: Itaipus de cataventos

Ciência e Humanidades - Demografia

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A Usina Hidrelétrica de Itaipu é uma grande obra de engenharia que, além do tempo dedicado ao projeto e aos acertos políticos entre Brasil, Paraguai e Argentina, demorou mais de uma década para ser construída e entrar em operação. A capacidade instalada de geração da usina é de 14 gigawatts (GW), fornecendo 90% da energia consumida pelo Paraguai e cerca de 20% da energia consumida pelo Brasil.  Somente a Usina de Três Gargantas, na China, é maior e possui capacidade de geração de 18 GW (1 gigawatt equivale a 1 bilhão de watts ou a um mil megawatts - MW). A energia hidrelétrica evita a queima de combustíveis fósseis e o Brasil, por exemplo, teria que consumir 434 mil barris de petróleo por dia para gerar em usinas termelétricas a potência de Itaipu.

Pois bem, várias “Usinas de Itaipu” vão ser “construídas” anualmente no mundo até 2020, não por meio do aproveitamento da força das águas, mas sim da ventilação atmosférica. Em 2007, o mundo possuía uma capacidade instalada de energia eólica de 93,8 GW e passou para 120,8 GW em 2008, atingindo 157,9 GW em 2009 (aumento de 31% em um ano de crise mundial). Portanto, já existem mais de “11 Itaipus” produzindo energia dos ventos e, apenas no ano passado, o mundo colocou em funcionamento o equivalente a mais de duas hidrelétricas de Itaipu em energia eólica. No Brasil, o crescimento relativo foi de 77,7% em 2009 (acima da média mundial), mas o crescimento absoluto ainda foi pequeno, pois a capacidade instalada do país chegou a 606 megawatts (MW), contra os baixos 341 MW de 2008.

Somente Europa, Estados Unidos e China, no ano de 2009, aumentaram a capacidade instalada de energia eólica em cerca de 10 GW cada. A Europa já possuía uma capacidade instalada de 65 GW em 2008 (quase 5 Itaipus), o que evitava a emissão de 91 milhões de toneladas de CO2. A partir de 2010, Europa, China e EUA – individualmente - vão aumentar anualmente a capacidade de geração de energia eólica acima de 14 GW (que é a potência de Itaipu). Assim, nos próximos anos, em várias partes do mundo, diversos “cataventos” serão instaladas com potência maior do que a capacidade da usina de Itaipu.

Para 2020, unicamente a Europa (EU) está projetando uma capacidade instalada de energia eólica de 230 GW, equivalente a 17% da demanda total de eletricidade da EU, o que evitará a emissão de 333 milhões de toneladas de CO2 por ano, contribuindo para mitigar a emissão de gases de efeito estufa. A Europa, a China e os EUA, pressionados pela ampla mobilização dos movimentos ambientalistas, estão caminhando no mesmo sentido de buscar o aproveitamento da riqueza dos ventos como fonte limpa e renovável de energia.

Vários outros países do mundo, como a Índia, estão investindo no aproveitamento das suas imensas correntes de ar. O avanço da energia eólica tem um enorme potencial de geração de empregos decentes e verdes, sendo que a inovação tecnológica para a substituição dos combustíveis fósseis deverá gerar novas oportunidades e efeitos positivos para toda a economia. A despeito da competitividade e das disputas entre nações para o melhor posicionamento no comércio internacional, a contribuição para reduzir os danos do aquecimento global e criar novas fronteiras energéticas pode ser quase incomensurável. Para isto a energia eólica precisa se consolidar em um arcabouço de desenvolvimento que privilegia o bem-estar e não o simples acúmulo de bens materiais.

O aumento da produção de energia renovável e limpa não quer dizer que se deve abandonar os esforços para se reduzir os desperdícios, o consumo per capita e a melhora da eficiência do seu uso. A energia eólica, como fonte renovável, é útil para acelerar o fim da era do petróleo e do carvão e não para ser uma alternativa de viabilizar o elevado consumo conspícuo que predomina nas sociedades afluentes e nas camadas ricas do mundo em desenvolvimento. A energia eólica será principalmente útil para uma futura sociedade do conhecimento que terá como base a produção de bens e serviços imateriais.

Neste sentido, a produção de energia eólica, especialmente aquela sob controle das comunidades locais, pode ser uma das respostas mais adequadas para se garantir o desenvolvimento humano e sustentável no século XXI. Mesmo os pessimistas e os descrentes podem concordar, em grande medida, com os versos de Bob Dylan:

“The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind”.

Referencias:
GWEC - Global Installed Wind Power Capacity
http://www.ewea.org/fileadmin/ewea_documents/documents/press_releases/2009/GWEC_Press_Release_-_tables_and_statistics_2008.pdf
China Challenging the United States for World Wind Leadership - J. Matthew Roney –
http://www.earth-policy.org/index.php?/indicators/C49/


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Solange Ayres  - De vento em popa |07-02-2010 11:22:11
avatar Alo Eustáquio, aquí na Alemanha o aproveitamento da forca dos ventos esta indo, literalmente de vento em popa. Novos "cata ventos" estao sendo instalados no mar do Norte e formarao uma grande rede na Europa de distribuicao de energia, já que a energia eólica nao pode ser armazenada. O projeto é um sistema inteligente de aproveitar o excesso de energia produzida pelos novos cata ventos no Mar do Norte que acionarao as turbinas para bombear água na Suécia. Aquí o projeto de integrar a enegia eólica na grande rede, juntamente com outras fontes produtoras de energia, como a do carvao, nuclear e evitar a dependencia do gás vindo da Rússia, que até agora tem funcionado, mas assim que a Russia cisma e resolve brigar com a Ucrania por causa dos precos,corta o gas que passa pelos seus gasodutos e sobra pra nós, aquí na Alemanha. A energia eóica esta aquí crescendo e estamos vendo um "cata vento" para produzir energia na nova casa que estamos construindo. A energia excedente produzida podera ser vendida na rede normal e amortizar os custos.
Que os ventos da inteligencia soprem na cabeca dos políticos e empresários e que invistam em energia limpa. Esse poderá ser um impottante legado para as futuras geracoes.
Solange
Fábio  - Pre-sal? |07-02-2010 14:43:49
Pois é, enquanto o mundo investe em energias renováveis o governo brasileiro joga um montão de dinheiro com gastos militares (comprando caros aviões franceses) e para extrair petróleo nas profundezas do pré-sal. Por que não aproveitar as enormes jazidas de vento disponíveis na superfície do imenso território brasileiro?
Fabio
Rafael Reinehr  - Belíssima pergunta |07-02-2010 14:57:35
avatar Obrigado por compartilhar a experiência da Alemanha Solange.

Por aqui, também gostaria de saber a resposta da pergunta feita pelo Fábio. Não é tão mais racional investir já em energia eólica? Me parece que os custos - relacionando aos altos custos de extração do petróleo em altas profundidades, esteja pendendo a favor da energia eólica e até da energia das marés...

Queria que um especialista (não enviesado pelo ponto de vista governamental) pudesse esclarecer melhor sobre o assunto.
José Eustáquio Diniz Alves  - Considerações |07-02-2010 15:56:10
avatar Também agradeço à Solange por compartilhar a experiência da Alemanha. Realmente a Alemanha está muito à frente do Brasil na área de energia renovável e temos muito a aprender...

Quanto à questão dos investimentos da Petrobrás no pré-sal eu não tenho a resposta, mesmo porque uma avaliação da viabilidade econômica depende do preço do petróleo no mercado mundial. Se o preço subir muito o investimento, em termos econômicos, vai valer a pena. Mas se o preço do petróleo cair, o investimento poderá ser deficitário...

Mas não resta dúvida de que o investimento em energia eólica teria o efeito de garantir a segurança energética do Brasil ao mesmo tempo que se investiria na mitigação do aquecimento global. Petróleo é investimento do passado. Energia eólica e solar representam investimentos do futuro... futuro limpo e sem emissão de CO2.

Em 2009 o mundo aumentou a capacidade instalada em energia eólica em 37 GW e o Brasil em menos de 0,3 GW, ou seja, apenas uma pequena fração.

O Brasil precisa avançar na produção de energia renovável, especialmente para as populações que moram em áreas distantes das grandes cidades e da rede de distribuição elétrica...

Seguimos,

Abs, JE
Solange Ayres  - O futuro é agora |09-02-2010 14:29:16
avatar Tenho lido alguma coisa sobre a política energética do Brasil por aquí. A sensacao que tenho é que ha uma arrogancia por parte dos políticos e do próprio Lula que arrota dizendo que o Brasil é independente do petróleo dos paises árabes. De fato o Brasil tem uma tecnologia avancadíssima em exploracao de petróleo e gás em águas profundas no nível da Noruega, mas nao podemos esquecer, como o José Eustáquio bem disse acima, investir no petróleo é investir no passado. Uma combinacao inteligente das energias renováveis como a solar, eólica e biomassa pode ser a saida para uma futura crise energética, que mais cedo ou mais tarde atingirá o Brasil.O futuro é agora. Pensar inteligente hoje e nao esperar para investir em energia renovável,esse pode ser o segredo. O Brasil, com tanto sol, tanto vento e tanta biomassa já poderia estar muito avancado do que está hoje em matéria de aproveitar essas fontes de energia limpas e sem deixar nada a desejar aos paises, como a Alemanha. Tenho certeza que a Alemanha nao se negaria a fazer acordos de cooperacao para impulsionar projetos desta monta. Fico pensando o que estao fazendo os nossos embaixadores do Brasil na Alemanha...
Ah, quem sabem eles acordam sobre o tema um dia.
Solange
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