Ciência e Humanidades - Demografia

Cresce a compreensão internacional de que tanto a Al Qaeda quanto os EUA saíram perdendo, pois a China foi a vencedora da competição internacional na primeira década do século XXI.
A Al Qaeda perdeu mesmo antes da morte de Bin Laden. A Primavera Árabe mostrou que o povo do Oriente Médio não deseja seguir os princípios do fundamentalismo muçulmano.
Mas os Estados Unidos também perderam, pois a resposta unilateral levou a duas guerras erradas (Afeganistão e Iraque). Só no Iraque, os EUA perderam mais americanos vítimas mortais dos conflitos do que o número de civis mortos na derrubada do World Trade Center (sem contar as vítimas civis no Afeganistão e no Iraque). Além dos custos humanos e do incentivo ao militarismo internacional, as duas guerras e as medidas de segurança foram responsáveis pela dragagem de cerca de 3 trilhões de dólares.
Esta quantia, para um país rico e líder destacado da comunidade mundial, poderia não parecer tão grande. Mas acontece que os EUA diminuiram de tamanho (em termos relativos) e enfrentam sérias dificuldades com seus enormes déficits (comercial e fiscal), sua enorme dívida pública, perda de competitividade econômica e suas deficiências em infra-estrutura e educação básica. Ou seja, os EUA lutaram a guerra errada e perderam o rumo na primeira década do século XXI. A guerra correta seria lutar pela melhoria da educação, da infra-estrutura e das relações antrópicas com o meio ambiente.
Os EUA vem perdendo espaço para a China, que nestes últimos dez anos, se dedicou ao crescimento acelerado, ao avanço da sua economia e na luta pela redução da pobreza.
De acordo com dados do FMI, o PIB americano (em poder de paridade de compra – ppp), em 2000, era de 10 trilhões de dólares, enquanto o PIB da China (em ppp) era de 3 trilhões de dólares. Portanto, na virada do milênio, a economia dos EUA era 3,3 vezes maior do que a chinesa. Mas, em 2011, o PIB dos EUA deve ficar em 15,2 trilhões de dólares, apenas 1,3 vezes maior do que o PIB da China, de 11,1 trilhões de dólares.
O FMI também projeta que a China será a maior economia do mundo (medida em ppp) já no ano 2016. Além de possuir a industria mais competitiva, a China acumula mais de 3 trilhões de dólares em reservas internacionais e é o maior credor financeiro dos Estados Unidos. A participação da China na economia mundial passou de 7,1%, em 2000, para 13,6%, em 2011, enquanto a participação dos EUA caiu de 24% para 19,3%, no mesmo período.
Além disto, os EUA possuem mais de 14 milhões de pessoas desempregadas e as perspectivas não são boas para os próximos anos. Vários economistas consideram alta a probabilidade de uma nova recessão econômica. O sonho americano está se transformando no pesadelo da mobilidade social descendente para as novas gerações. Pesadelo também em termos de aquecimento global e de degradação ambiental.
O mundo mudou neste início do século XXI e a China, a Índia e os países em desenvolvimento estão reconfigurando a economia internacional. Existe um processo de convergência e de redução das diferenças entre os países ricos e pobres.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam atolados nos conflitos insolúveis do Afeganistão, do Iraque e, recentemente, da Líbia. Internamente, os partidos políticos estão se esforçando para mostrar que a democracia americana é uma ilusão, pois quem dá as cartas é o poder econômico que busca defender os seus interesses egoísticos e não se importa com o acelerado processo de aprofundamento das desigualdades sociais. A democracia americana está ficando “desfuncional”, em decorrência da radicalização política. A correção de rumo torna-se impraticável com o partido Republicano controlando a Câmara de Deputados e o partido Democrata controlando o Senado e a Casa Branca.
Enfim, o 11 de setembro realmente mudou o mundo. E, no novo cenário internacional, os EUA ficaram menores e com menos atrativos econômicos e políticcos. Se, em diversos momentos do passado, foram referência positiva para outros povos, atualmente, os EUA são um modelo a ser evitado.
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