Dia 15, fizemos 2 anos…
… e ninguém notou.
E temos 909 posts publicados… Com este, 910.
… e ninguém notou.
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Apócrifo
[Do gr. apókryphos, pelo lat. tard. apocryphu.]
Adj.
1. Diz-se de obra ou fato sem autenticidade, ou cuja autenticidade não se provou.
2. Diz-se, entre os católicos, dos escritos de assunto sagrado não incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas.
Bem, se esta Paixão for de Bach, eu sou uma abelhinha de jardim. Tudo muito bonitinho, muito bem interpretado — sem dúvida, a melhor interpretação que já ouvi da obra –, só que não é Bach. Bach e um de seus filhos copiaram por algum motivo esta boa Paixão, o que enganou os caras que montaram o Bach Werke Verzeichnis (Edição das Obras de Bach ou, popularmente, BWV). Mas cá para nós, é aquela coisa plana, flat e com pouca imaginação e polifônia, além de trazer um verdadeiro exército de recitativos… Nã, nã, ni, na, não, dou o rabo na próxima esquina se for de Bach. E olha que estou inexpugnável há mais de 50 anos!
São dois CDs que coloquei num mesmo arquivo. Bom som, excelente gravação (192 kbps). No segundo CD, minha gravação possui quatro faixas a mais do que a relação abaixo. Coisas da Amazon.
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Atualização das 8h55 (correção ao blog feita em comentário):
Wolf
novembro 20th, 2008 às 7:30 edit
BWV = Bach-Werke-Verzeichnis (Catálogo das obras de Bach)
“Bach-Werke-Verlag” seria “editora das obras de Bach”.
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Obrigado, Wolf!
J. S. Bach ??? - A Paixão segundo São Lucas (apócrifa) - BWV 246
Disc: 1
1. “Furcht und Zittern, Scham und Schmerzen”, Chorus
2. “Es war aber nahe das Fest der süßen Brot’”, Recitative
3. “Verruchter Knecht, wo denkst du hin”, Chorale
4. “Und sie wurden froh”, Recitative
5. “Die Seel’ weiß hochzuschätzen”, Chorale
6. “Und er verspach es”, Recitative
7. “Stille, stille!” Chorale
8. “Es am nun der Tag der süßen Brot’”, Recitative
9. “Wo willt du, daß wir’s bereiten?”, Chorus
10. “Er sprach zu ihnen”, Recitative
11. “Weide mich und mach’ mich satt”, Chorale
12. “Und er wird euch einen großen”, Recitative
13. “Nichts ist lieblicher als du, liebste Liebe”, Chorale
14. “Denn ich sage euch, daß ich hinfort”, Recitative
15. “Dein Lieb, das Manna meiner Seele”, Aria for Soprano
16. “Desselbigen gleichen auch den Kelch”, Recitative
17. “Du gibst mir Blut, ich schenk’ dir Tränen”, Aria for Alto
18. “Doch siehe, die Hand meines Verräters”, Recitative
19. “Ich, ich und meine Sünden”, Chorale
20. “Es erhub sich auch ein Zank unter ihnen”, Recitative
21. “Ich werde dir zu Ehren alles wagen”, Chorale
22. “Und ich will euch das Reich bescheiden”, Recitative
23. “Der heiligen zwölf Boten Zahl”, Chorale
24. “Der Herr aber sprach”, Recitative
25. “Nie, keinen”, Chorus
26. “Da sprach er zu ihnen”, Recitative
27. “Herr, siehe Herr, hier sind zwei Schwert”, Chorus
28. “Er aber sprach zu ihnen”, Recitative
29. “Wir armen Sünder bitten”, Chorale
30. “Und er riß sich von ihnen”, Recitative
31. “Mein Vater, wie du willt”, Chorale
32. “Es erschien ihm ein aber ein Engel vom Himmel”, Recitative
33. “Durch deines Todes Kampf”, Chorale
34. “Und er stund auf von dem Gebet”, Recitative
35. “Laß mich Gnade für dir finden”, Chorale
36. “Da er aber noch redet’”, Recitative
37. “Von außen sich gut stellen”, Chorale
38. “Da aber sahen, die um ihn waren”, Recitative
39. “Herr, sollen wir mit dem Schwert drein schlagen?”, Chorus
40. “Und einer aus ihnen schlug”, Recitative
41. “Ich will daraus studieren”, Chorale
42. “Jesus aber sprach zu den Hohenpriestern”, Recitative
43. “Und führe uns nicht in Versuchung”, Chorale
44. “Da zündeten sie ein Feuer an”, Recitative
45. “Kein Hirt kann so fleißig gehen”, Chorale
46. “Und Petrus gedachte an des Herren Wort”, Recitative
47. “Den Fels hat Moses’ Stab geschlagen”, Aria for Tenor
48. “Aus der Tiefe rufe ich”, Chorale
49. “Aus der Tiefe rufe ich”, Chorale
Disc: 2
1. “Die Männer aber, die Jesum hielten”, Recitative
2. “Weissage, wer ist’s, der dich schug?”, Chorus
3. “Daß du nicht ewig Schande mögest tragen”, Chorale
4. “Und viel and’re Lästerungen sangten sie wider ihn”, Recitative
5. “Bist du Christus?”, Chorus
6. “Er aber sprach zu ihnen”, Recitative
7. “Bist du denn Gottes Sohn?”, Chorus
8. “Du Kön’g der Ehren”, Chorale
9. “Er sprach zu ihnen”, Recitative
10. “Und der ganze Haufe stund auf”, Recitative
11. “Diesen finden wir”, Chorus
12. “Pilatus aber fragte ihn”, Recitative
13. “Dein göttlich’ Macht und Herrlichkeit”, Chorale
14. “Pilatus sprach zu den Hohenpriestern”, Recitative
15. “Ich bin’s, ich sollte büßen”, Chorale
16. “Sie aber hielten an und sprachen”, Recitative
17. “Er hat das Volk erreget”, Chorus
18. “Do aber Pilatus ‘Galiläa hörte”, Recitative
19. “Die Hohenpriester aber”, Recitative
20. “Was kann die Unschuld besser kleiden”, Chorus
21. “Auf den Tag wurden Pilatus und Herodes Freunde”, Recitative
22. “Ei, was hat er denn getan”, Chorale
23. “Denn er mußte ihnen einen nach Gewohnheit”, Recitative
24. “Hinweg, hinweg mit diesem”, Chorus
25. “Welcher war um eines Aufruhrs”, Recitative
26. “Kreuzige ihn!”, Chorus
27. “Er aber sprach zum dritten Mal zu ihnen”, Recitative
28. “Und als sie Jesum hinführeten”, Recitative
29. “Weh und Schmerz”, Terzett
30. “Jesus aber wandte sich um zu ihnen”, Recitative
31. “Sein’ allereste Sorge war, zu schützen”, Chorale
32. “Und sie teileten seine Kleider”, Recitative
33. “Er hat andern geholfen”, Chorus
34. “Es verspotteten ihn auch die Kriegsknechte”, Recitative
35. “Bist du der Jüden König, so hilf dir selber!”, Chorus
36. “Ich bin krank, komm stärke mich”, Chorale
37. “Das Kreuz ist der Königsthron”, Chorale
38. “Aber der Übeltäter einer”, Recitative
39. “Tausend mal gedenk’ ich dein”, Chorale
40. “Und Jesus sprach zu ihm”, Recitative
41. “Freu’ dich sehr, o meine Seele”, Chorale
42. “Und es war um die sechste Stunde”, Chorale
43. “Selbst der Bau der Welt erschüttert” Aria for Tenor
44. “Und Jesus rief laut, und sprach”, Recitative
45. “Derselbe mein Herr”, Sinfonia/Chorale
46. “Da aber der Hauptmann sahe”, Recitative
47. “Straf’ mich nicht in deinem Zorn”, Chorale
48. “Es stunden aber alle Verwandten con ferne”, Recitative
49. “Laßt mich ihn nur noch einmal küssen” Aria for Tenor
50. “Und nahm in ab”, Recitative
51. “Nun ruh, Erlöser, in der Gruft”, Chorale
Marcus Sandmann
Stephan Schreckenberger
Mona Spagele
Harry van Berne
Rufus Muller
Bremen Baroque Orchestra
Wolfgang Helbich
PQP
Mais um cd com trios para piano de Beethoven, sempre com a interpretação exuberante do Beaux Arts Trio.
O CD 4 traz uma peça conhecida nossa, já postada sob op. 20, o Septeto, mas neste caso adaptado por Beethoven para Trio com Piano. Maiores informações sobre esta obra a biografia de Solomon não nos passa.
O Trio nº 5, nº1, também conhecido como “Fantasma” foi composto e dedicado a sua amiga, a condessa Marie Erdöry, à qual já nos referimos em postagem anterior, e foi na casa desta amiga que estes trios tiveram sua primeira audição. Sobre estes trios op. 70, Solomon escreve o seguinte:
“Os trios foram a primeiras obras sérias de Beethoven nessa forma desde o seu op.1 de 1795. O Trio nº1 em ré maior (Fantasma) tem dois movimentos descontraídos e sem problemas ladeando um poderoso ‘Largo’ pré-romântico, cujos efeitos atmosféricos de cordas em tremolando e súbitos cotrastes dinâmicos deram origem ao adequado cognome da obra”
Fico por aqui hoje, pois estou sobrecarregado de serviço.
Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Piano Trio In E Flat Major, Op.38 (After The Septet, Op.20), Piano Trio No.5 In D Major, Op.70 No.1 ‘Ghost’
01 - Piano Trio In E Flat Major, Op.38 (After The Septet, Op.20) - 1. Adagio - Allegro Con Brio
02 - Piano Trio In E Flat Major, Op.38 (After The Septet, Op.20) - 2. Adagio Cantabile
03 - Piano Trio In E Flat Major, Op.38 (After The Septet, Op.20) - 3. Tempo Di Menuetto
04 - Piano Trio In E Flat Major, Op.38 (After The Septet, Op.20) - 4. Andante Con Variazioni
05 - Piano Trio In E Flat Major, Op.38 (After The Septet, Op.20) - 5. Scherzo (Allegro Molto Viva
06 - Piano Trio In E Flat Major, Op.38 (After The Septet, Op.20) - 6. Andante Con Moto Alla Marci
07 - Piano Trio No.5 In D Major, Op.70 No.1 ‘Ghost’ - 1. Allegro Vivace E Con Brio
08 - Piano Trio No.5 In D Major, Op.70 No.1 ‘Ghost’ - 2. Largo Assai Ed Espressivo
09 - Piano Trio No.5 In D Major, Op.70 No.1 ‘Ghost’ - 3. Presto
Beaux Arts Trio
Menahem Pressler - Piano
Isidore Cohen - Violino
Bernard Greenhouse - Violoncelo
Recebi agora há pouco o e-mail abaixo, de um leitor que preferiu permanecer tímido:
“olá, Blue Dog!
estive em Buenos Aires há uns dias, e encontrei esse bando de hippies tocando tango em San Telmo. são jovens cabeludos (o do vocalista é até vermelho), em grande grupo: quatro bandoneons, quatro violinos, cello, baixo, piano e voz. ótimos músicos. o repertório é 100% tangueiro, sem milongas ou delongas (cof). sei que não é jazz, mas também sei que não fica tão longe assim, e já vi Piazzolla no PQP; por isso estou te enviando um link. faça uso se achar pertinente. e não deixe de escutar a versão que fazem de Tresnochando.
um abração!
xxxxx.”
Não apenas compartilho, como em pesquisinha rápido acho até uma dica, caro xxxxx: a Orquesta Típica El Afronte se apresenta todas as quartas no Maldito Tango - Perú 571, San Telmo. Às 21h, ministram aula; duas horas depois, fazem show. Se voltares à cidade, já sabes. E obrigado pela pérola! Nós, vira-latas, temos muito em comum com músicos que não têm medo das ruas. Este disco não apenas traz belíssimas interpretações tangueiras - também me faz sentir em casa.

Orquesta Tipica El Afronte - Tango al Palo, 2006 (128)
http://elafronte.com.ar/
Pablo Schaffino: piano
Maurício Beltrán: baixo
Jano Seitún: cello
Angela Goussinsky, Andrea Marina Sosa, Gabriel Atúm, Agustín Volpi: violino
Claudio Ferrari, Adrián Barile, Matías Nori, Martín Viña: bandoneón
Marco Bellini: voz
download - 45MB
01 Ojos Negros (Greco) 2′48
02 Maldita Monogamia (Atúm) 2′46
03 Una Canción (Troilo, Castillo) 3′12
04 Pa’ que bailen los muchachos (Troilo, Cadícamo) 2′54
05 Pueblada (Atúm) 2′58
06 Inspiración (Paulos, Rubistein) 3′17
07 Responso (Troilo) 3′08
08 Nunca Tuvo Novio (Bardi, Cadícamo) 3′20
09 Cuesta Abajo (Gardel, Le Pera) 3′11
10 Bahía Blanca (Di Sarli) 2′49
11 Trasnochando (Baliotti, Adamini) 3′37
12 Libertango (Piazzolla) 3′22
Boa audição!
Blue Dog
Após aquele disco de Glenn Gould com as deliciosas e românticas canções de Schoenberg, aqui encontramos um ciclo de canções absolutamente revolucionário – Pierrot Lunaire de 1912. O pequeno melodrama para voz feminina e grupo de câmara é composto de 21 canções ultra-expressionistas, onde Schoenberg emprega a técnica (não inédita) do falado-cantado (Sprechstimme). As sensações sobre a noite, a lua, decapitação (Enthauptung) … são narradas-cantadas por uma personagem apavorante e salientadas pelos instrumentistas de forma virtuosa e febril.
A capacidade de Boulez de dar um novo brilho as obras que rege é mesmo espantosa. Gosto de tudo que ele grava. E a falta de fervor que alguns críticos condenam, eu vejo como uma vantagem. No entanto, no caso de Pierrot Lunaire, a dupla Christine Schäfer-Boulez poderia se soltar mais no imaginário psicótico da obra. Mas a clareza e majestosa voz de Schafer compensam a ausência de alucinadas declamações que eu gostaria de ouvir (noutra oportunidade postarei o que acho adequado). Ajuda muito assistir o DVD feito pelo mesmo grupo de músicos do cd. A direção lembra muito aqueles “absurdos” geniais de David Lynch.
Outra importante obra deste disco é Ode a Napoleão, cujo texto de Byron (escrito em 1816) poderia ser chamado de Ode a Hitler ou qualquer outro ditador. Foi escrita por Schoenberg em 1942 e é uma das grandes obras-primas do século XX. Gravação exuberante.
CDF
cd:
1. Act I, No. 1, “Mondestrunken”
2. Act I, No. 2, “Colombine”
3. Act I, No. 3, “Dandy”
4. Act I, No. 4, “Die blasse Wascherin”
5. Act I, No. 5, “Valse de Chopin”
6. Act I, No. 6, “Madonna”
7. Act I, No. 7, “Der kranke Mond”
8. Act II, No. 8, “Nacht”
9. Act II, No. 9, “Gebet an Pierot”
10. Act II, No. 10, “Raub”
11. Act II, No. 11, “Rote Messe”
12. Act II, No. 12, “Galgenlied”
13. Act II, No. 13, “Enthauptung”
14. Act II, No. 14, “Kreuze”
15. Act III, No. 15, “Heimweh”
16. Act III, No. 16, “Gemeinheit”
17. Act III, No. 17, “Parodie”
18. Act III, No. 18, “Mondfleck”
19. Act III, No. 19, “Serenade”
20. Act III, No. 20, “Heimfahrt”
21. Act III, No. 21, “O alter Duft”
22. Herzgewachse Opus 20
23. Ode To Napoleon Buonaparte Opus 41
Se não podemos garantir a imortalidade da obra de Elliott Carter, podemos afirmar que ele não morre. No dia 11 de dezembro, Carter completará 100 anos. Como cada dia dele é uma nova aventura, decidi postar este CD ainda em vida do compositor. Basta de postagens póstumas! Este decano dos compositores foi aluno de Walter Piston e de Gustav Holst e, em Paris, de Nadia Boulanger. Influenciado por Stravinsky e Hindemith, tornou-se inicialmente neoclássico. A partir dos anos cinqüenta, abraçou uma moderada atonalidade cuja complexa rítmica o levou a inventar o termo modulação métrica, a fim de poder descrever com exatidão as freqüentes mudanças de andamento de suas obras. Carter vem de outro tempo. MESMO.
A declaração que vem no libreto do CD é típica da Segunda Escola de Viena: Decidi escrever apenas o que me interessava, o que demonstrava os conceitos e sentimentos que tenho em mim, sem nenhuma consideração a um suposto público.
Suposto público? Bem, ao menos ele decidiu mostrar-nos o que faz e o curioso é seus conceitos particulares — que na verdade significam apenas que ele manda a crítica às favas — são semelhantes aos de alguns de seus colegas, como Edgar Varèse. Música complicada e densa, gosto bastante de seu Concerto para Orquestra, onde quatro grupos orquestrais de mesma importância interrompem ou ao outro. Parece mais um jogo, principalmente após ouvirmos o dramático Concerto para Piano, um verdadeiro conflito entre piano e orquestra. Nesta peça, há sete músicos que cercam o solista e que devem fazer a intermediação entre este e a orquestra. Falham em seu intento. Parece piada, mas não é. É um concerto de grande intensidade e complexidade.
As Three Occasions formam uma peça menor.
Um filé para quem gosta de música moderna. Uma tortura para a maioria.
Elliott Carter - Três trabalhos orquestrais
Piano Concerto (1964-1965)
1. I.
2. II.
Ursula Oppens, piano
SWF Sinfonieorchester Baden-Baden
Michael Gielen
3. Concerto for Orchestra (1969)
Ursula Oppens, piano
SWF Sinfonieorchester Baden-Baden
Michael Gielen
Three Occasions for orchestra (1986-1989)
4. A Celebration of 100 X 150 Notes
5 Remembrance
6. Anniversary
SWF Sinfonieorchester Baden-Baden
Michael Gielen
PQP
Ninguém pediu a Sonatina de Krieger, mas vou empurrá-la pra vocês assim mesmo, já que Santa Catarina está me inspirando e me rendendo bons lucros. É uma das obras para piano mais queridas - senão a mais - de compositores brasileiros vivos e a mais conhecida de todo o catálogo do célebre compositor catarinense.
Segue o texto do encarte do CD com a Sonatina e outras peças pianísticas importantes de Krieger.
***
Edino Krieger
Nascido em Brusque, Santa Catarina, a 17 de março de 1928, aos 7 anos iniciou estudos de violino com seu pai, Aldo Krieger, violinista e compositor. Aos 14 anos ingressou no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. Iniciou em 1944 estudos de composição com H.J. Koellreuter, ingressando no ano seguinte no Grupo Música Viva. Em 1948 obtém o 1º lugar em concurso do Berkshire Music Center, EUA, onde estudou sob a orientação de Aaron Copland. Em seguida, consegue bolsa de estudos para Julliard School, onde estudou com Peter Menin. Em 1955, estuda em Londres com Lennox Berkeley e nesse mesmo ano é premiado no Festival Internacional de Varsóvia. Em 1959 conquista o 1º prêmio do I Concurso Nacional de Composição do MEC, com o Divertimento para Cordas. Em 1965 suas Variações Elementares foram estreadas no Festival Interamericano de Música de Washington, e no ano seguinte seu Ludus Symphonicus recebia sua estréia mundial pela Orquestra de Filadélfia, em Caracas. Em 1967 e 1968 obtém Medalha de ouro nos Festivais Internacionais da Canção do Rio de Janeiro.
Paralelamente à sua atividade criadora, tem exercido diversas funções públicas, entre as quais as de diretor musical da Rádio MEC, organizador e regente assistente da Orquestra Sinfônica Nacional, criador e diretor dos festivais de música da Guanabara de 1969 a 1970, e idealizador das Bienais de Música Contemporânea. Obteve ainda em 1969 o prêmio Golfinho de Ouro, conferido pelo Museu da Imagem e do Som. Dirige a Divisão de Música da Rádio Jornal do Brasil e exerceu a crítica musical no Jornal do Brasil. Em 1979 criou o projeto Memória Musical Brasileira — FUNARTE — do Ministério da Educação e Cultura (atualmente Ministério da Cultura). Em 1981 assumiu a direção do instituto Nacional de Música da FUNARTE.
As Composições
As composições de Edino Krieger incluídas nesta gravação datam dos anos 50 e pertencem a um período caracterizado pela busca de uma expressão voltada para as raízes de sua própria experiência musical. Com efeito, enquanto suas peças anteriores, de 1945 a 1952, mostram um interesse pela pesquisa de novas formas e de nova linguagem, partindo do impressionismo do Improviso para flauta só até o dodecafonismo dos Epigramas, das Miniaturas para piano e da Música 1952 para Cordas, sua produção, a partir do Choro para Flauta e Cordas, de 1952, aponta para uma linha neo-clássica, com a predominância de formas e estruturas mais tradicionais e, paralelamente, de uma linguagem mais tonal e uma substância musical fortemente impregnada de sabor brasileiro. Essas composições parecem mergulhar no mundo sonoro de sua infância, marcado pelo ambiente musical da família, dos ensaios de carnaval na alfaiataria de seu avô, nos anos 30 e 40, onde os blocos se reuniam em torno do “Jazz Band América”, formado exclusivamente pela família, para aprender e ensaiar o repertório carnavalesco de cada ano; ou das retretas da Banda Musical Concórdia, que seu pai integrou e depois dirigiu, como sucessor do mestre Humberto Matioli; ou, ainda, das serestas que seu pai e seus tios promoviam todos os fins de semana, noite a dentre e que terminavam, invariavelmente, no portão da sua casa, onde às vezes se estreava uma nova valsa nascida ao longo da madrugada…
Acrescente-se a isso uma preocupação de caráter didático, que se inicia com as 20 Rondas Infantis, de 1952, e se manifesta no Prelúdio e Fuga, de 54, no Choro Manhoso e no Estudo Seresteiro, de 56 e na Sonatina, de 57.
A Sonatina, que abre este disco, recebe agora a segunda gravação pelo pianista Miguel Proença, que a lançou em seu primeiro LP, em 1982, tornando-a uma página particularmente conhecida do estudante de piano.
O Prelúdio (cantilena) e Fuga (marcha-rancho) nasceu como um exercício de fuga, sem maiores pretensões. Ao ler a Fuga, recém-concluída, a pianista Anna Stella Schic sugeriu estrear a peça numa próxima ocasião. Um Prelúdio foi então acrescentado, à guisa de introdução ao exercício, e a composição, já agora com sua forma barroca de Prelúdio e Fuga, e com sua substância brasileira de cantilena e marcha-rancho — à maneira das Bachianas de Villa-Lobos — foi dedicada à pianista, e depois incorporada à Suíte para Cordas, composição de caráter didático dessa mesma época, e mais adiante, em 1967, transcrita para coro a 8 partes pelo próprio autor, transformou-se na Fuga e Anti-Fuga. Com letra de Vinícius de Moraes.
O Choro Manhoso e o Estudo Seresteiro foram compostos em Brusque, em 1956, num dos períodos de férias que o autor passava em sua cidade natal.
Ilmar Carvalho
Krieger e as Sonatas para piano
As Sonatas para Piano, de Edino Krieger — que recebem neste LP o seu primeiro registro fonográfico — foram compostas na década 50, época em que o compositor produziu também o Quarteto para Cordas nº1 e a Brasiliana (para viola e cordas).
Impregnadas de atmosfera modal, quanto à sua essência melódico-harmônica, essas obras trazem reminiscências do período em que Krieger viveu nos Estados Unidos (1948-49), estudando com Aaron Copland (no Festival de Tanglewood) e Peter Menin (na Juilliard School of Music, de Nova Iorque). Pertencem a uma fase marcada pela presença de elementos temáticos de caráter nativista, dentro de um traçado formal tradicionalista. No período anterior, predominavam técnicas e linguagem vanguardistas, e um culto sistemático das formas sintéticas e miniaturistas.
A Sonata nº1 foi escrita no Rio de Janeiro, entre dezembro de 1953 e maio de 1954. Já no primeiro movimento — Andante – Allegro energico — desponta o clima modal da partitura, ao lado do emprego constante de quartas e quintas justas e dos desenhos uníssonos em dobramentos de oitava. Poulenc, Prokofiev e o próprio Aaron Copland podem ser apontados como fontes de influência para o discurso musical do autor.
O segundo tempo — Seresta — já existia antes como peça isolada, trazendo no subtítulo a menção “Homenagem a Villa-Lobos”. Trata-se de um texto em que convivem simplicidade melódica e vigor pianístico, mesclando-se a ambientação modal com características mais determinantes da música brasileira de caráter urbano.
O movimento final — Variações e Presto — inicia-se com um tema lento e expressivo, exposto em linguagem transparente. A 1ª variação (Moderato) tem caráter rítmico: o autor propõe uma nova figuração para o desenho temático (melodicamente um terço acima), usando com abundância pausas e deslocamentos de acentos. A 2ª variação (Andantino) fixa-se no aspecto melódico, começando pela exposição do tema em movimento contrário. A 3ª variação apresenta o motivo central com os valores ampliados, em contraponto com belos comentários de sabor seresteiro. A quarta — e última — variação é um Allegro scherzando de feição rítmica e virtuosística.
O Presto conclusivo fecha a Sonata em atmosfera burlesca, tipicamente brasileira: o desenho principal sugere com nitidez um frevo nordestino.
É importante ressaltar que a Sonata nº1 foi, 1959, adaptada pelo autor para orquestra de cordas, recebendo, na nova versão, o título de Divertimento para Cordas, obra que obteve o 1º Prêmio no concurso “Música e Músicos do Brasil” da Rádio MEC.
Estreada no Rio, em 1959, pelo pianista Homero Magalhães, a Sonata nº2 foi composta três anos antes, em abril de 1956, quando Krieger se aperfeiçoava em Londres, com Lennox Berkeley. A obra mantém o clima melódico-harmônico da sonata anterior, desenvolvendo-se igualmente em três movimentos.
O primeiro movimento — Allegro — apresenta a célula temática inicial em oitavas dobradas, prosseguindo em seguida na textura modal peculiar e impregnando o discurso pianístico de cristalinos trinados, procedimento que — um ano mais tarde — o autor conservaria em sua conhecida Sonatina.
O segundo movimento — Andantino — traz sugestões nordestinas com sutil tratamento harmônico, remetendo-nos ao despojamento e ao savoir-faire dos Andantes de Guarnieri. O texto caminha para um adensamento da linguagem pianística, retornando em seguida à amena beleza do clima inicial.
O tempo final — Vivace molto e com spirito — tem o caráter de uma Tocata, alternando células de acordes de quinta justas com sinuosos desenhos de oitavas dobradas. A conclusão é brilhante e virtuosística.
Primeira obra dessa série, a Sonata para Piano a Quatro Mãos foi criada em 1953, surgindo inicialmente como um Rondon-Fantasia, dedicado a Jeanette e Heitor Alimonda. Krieger posteriormente ampliou a partitura e rebatizou-a de Sonata, tornando o final pianisticamente mais eloqüente.
O autor conservou, porém, a estrutura de um único movimento de caráter monotemático: o expressivo motivo principal aparece variado no decorrer da peça, com as características essenciais do décor modal, límpidos trinados e transparentes texturas.
Em 1971, a Sonata para Piano a Quatro Mãos foi editada pela Peer International (Nova Iorque/Hamburgo).
Ronaldo Miranda
***
01 - Sonatina - I. Moderato
02 - Sonatina - II. Allegro
03 - Prelúdio e Fuga - I. Prelúdio (Cantilena)
04 - Prelúdio e Fuga - II. Fuga (Marcha-rancho)
05 - Choro Manhoso
06 - Estudo Seresteiro
07 - Sonata nº1 - I. Andante
08 - Sonata nº1 - II. Seresta (Homenagem a Villa-Lobos)
09 - Sonata nº1 - III. Variações e Presto
10 - Sonata nº 2 - I. Allegro
11 - Sonata nº 2 - II. Andantino, moderato e con motto
12 - Sonata nº 2 - III. Vivace molto e con spirito
13 - Sonata a 4 Mãos - Moderato
Miguel Proença e Laís de Souza Brasil (vide no encarte quem toca o quê)
BAIXE AQUI (Os arquivos estão em extensão .mpc)
***
Mando de brinde os três Estudos Intervalares, compostos em 2000. O estudo “das quartas” é outra obra que descobri que utiliza o tema de Nozani-Ná, recolhido por Roquette Pinto e incorporado nos Choros 3, 7 e 12 do Villa, em Moacaretá de Sérgio de Vasconcellos Corrêa e noutra obra que não me lembro.
I. Das segundas
II. Das terças
III. Das quartas
Piano: Alexandre Dossin.
CVL

Aqui, na Amazon.
Mais uma série terminada!
1907 foi um ano desastroso para Mahler. Em julho, seu filha “Putzi” morreu aos quatro anos. Em agosto, demitiu-se da direção da Ópera de Viena em conseqüência de longas e amargas conspirações contra ele, em grande parte de caráter anti-semita. Logo depois, sua mulher, Alma, sofreu um colapso nervoso e, num esforço para animá-la, Mahler resolveu que o casal seria examinado por médicos que descobriram uma doença cardíaca… em Mahler. Tal doença o mataria quatro anos depois.
Após um pausa de dois anos, Mahler começou a trabalhar em Das Lied von der Erde (A Canção da Terra) e a idéia de uma nona existia, mas parecia-lhe aterrorizante, pois Beethoven, Bruckner e Schubert morreram logo após suas nonas… E ela foi mesmo a última que conseguiu completar.
Na minha opinião, a nona está logo abaixo de A Canção da Terra e da Sinfonia Nº 3. É notavelmente moderna e ao final do primeiro movimento, há aquilo que Alban Berg chamou de “a morte em pessoa”. Entre as brumas e as preocupações com a morte, um Mahler constrói uma sinfonia em ruínas que parece cantar: “Era uma vez a tonalidade…”;
Gustav Mahler - Sinfonia nº 9
CD 1
1 Symphony nº 9 in D - I. Andante Comodo
2 Symphony Nº 9,in D minor, II. In tempo eines gemächtlichen Ländlers. Etwas täppisch und sehr derb
CD 2
1 Symphony No. 9, in D minor, III. Rondo-Burleske. Allegro assai. Sehr trotzig
2 Symphony No. 9, in D minor, IV. Adagio. Sehr langsam und noch zurückhaltend
Concertgebouw Orchestra Amsterdam
Leonard Bernstein
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PQP
O terceiro cd da integral dos Trios para Piano de Beethoven traz sua obra-prima, o Trio “Arquiduque”, op. 97. Obra de fôlego, sobre ela Maynard Solomon faz a seguinte análise em sua biografia: “
O último trio de Beethoven, e por concordância geral, sua obra-prima nessa forma, foi o Trio em si bemol, op. 97, chamado ‘ Arquiduque’ por causa de sua dedicatória. É uma obra extensa tanto nas dimensões (quatro movimentos totalizando 1200 compassos) quanto no som. Ao passo que em suas sinfonias heróicas Beethoven tinha gerado a arquitetura de suas composições a partir da libertação (e controle) de energia represada dentro de motivos de ritmos germinais condensados e explosivos, ele gerou a monumentalidade arquitetural do Trio “Arquiduque” a partir do desenvolvimento de melodias amplas, fluentes e moderadamente compassadas. Essa prática resulta numa sensação de calma, amplitude e nobreza medida da retórica que já encontramos na Sonata para Violoncelo, op. 68, no Concerto para Violino e nos Quarto e Quinto Concertos para Piano. Pinceladas audaciosas no Scherzo e bruscos momentos espirituosos no finale contrastam de modo eficaz com a qualidade vastamente lírica e sublime do Allegro moderato inicial. O “Arquiduque” representa a soma total dos impulsos de Beethoven para um novo tipo de classicismo que tinha caracterizado sua música de câmara com piano entre meados de 1808 e 1811.”
Este trio foi composto em um perído relativamente curto, entre 3 e 26 de março de 1811.
Como não poderia deixar de ser, a gravação está a cargo do Beaux Arts Trio.
Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Piano Trio No.7 In B Flat Major, Op.97 ‘Archduke’, Piano Trio No.9 In E Flat Major, WoO 38, Piano Trio No.11 In G Major, Piano Trio in G major (”Kakadu Variations”), Op. 121a
01 - Piano Trio No.7 In B Flat Major, Op.97 ‘Archduke’ - 1. Allegro Moderato
02 - Piano Trio No.7 In B Flat Major, Op.97 ‘Archduke’ - 2. Scherzo (Allegro
03 - Piano Trio No.7 In B Flat Major, Op.97 ‘Archduke’ - 3. Andante Cantabile, Ma Però Con Moto -
04 - Piano Trio No.7 In B Flat Major, Op.97 ‘Archduke’ - 4. Allegro Moderato
05 - Piano Trio No.9 In E Flat Major, WoO 38 - 1. Allegro Moderato
06 - Piano Trio No.9 In E Flat Major, WoO 38 - 2. Scherzo (Allegro Ma Non Troppo)
07 - Piano Trio No.9 In E Flat Major, WoO 38 - 3. Rondo (Allegretto)
08 - Piano Trio in G major (”Kakadu Variations”), Op. 121a
Beaux Arts Trio
Menahem Pressler - Piano
Isidore Cohen - Violin
Bernard Greenhouse - Cello
FDP Bach
É um bom disco de um repertório raro. A gravadora deste CD é realmente obscura, mas os intérpretes são animados e de excelente nível. Não tenho muito a dizer sobre este trabalho. Vivaldi é às vezes é espetacular, mas nunca é ruim. Este fica acima da média e dificilmente alguma discoteca média terá este CD.
Os detaques são o concerto RV 335 e a surpreendente sonoridade do RV 779, que me fez parar de trabalhar para ouvi-lo mais atentamente.
Vivaldi - Concertos para órgão
01 - Concerto in D minor for violin, organ + strings RV541, 1 Allegro.mp3
02 - Concerto in D minor for violin, organ + strings RV541, 2 Grave.mp3
03 - Concerto in D minor for violin, organ + strings RV541, 3 Allegro.mp3
04 - Concerto in C major for violin, cello, organ + strings RV544a, 1 Allegro.mp3
05 - Concerto in C major for violin, cello, organ + strings RV544a, 2 Andante.mp3
06 - Concerto in C major for violin, cello, organ + strings RV544a, 3 Allegro.mp3
07 - Concerto in A major, Il Rossignuolo, for violin, organ + strings RV335, 1 Allegro.mp3
08 - Concerto in A major, Il Rossignuolo, for violin, organ + strings RV335, 2 Largo.mp3
09 - Concerto in A major, Il Rossignuolo, for violin, organ + strings RV335, 3 Allegro.mp3
10 - Concerto in F major for traverso, organ + strings RV767, 1 Alla breve.mp3
11 - Concerto in F major for traverso, organ + strings RV767, 2 Larghetto.mp3
12 - Concerto in F major for traverso, organ + strings RV767, 3 Allegro.mp3
13 - Concerto in C minor for violin, organ + strings RV766, 1 Allegro.mp3
14 - Concerto in C minor for violin, organ + strings RV766, 2 Largo.mp3
15 - Concerto in C minor for violin, organ + strings RV766, 3 Allegro.mp3
16 - Concerto in C major for violin, traverso + organ RV779, 1 Andante.mp3
17 - Concerto in C major for violin, traverso + organ RV779, 2 Allegro.mp3
18 - Concerto in C major for violin, traverso + organ RV779, 3 Largo e cantabile.mp3
19 - Concerto in C major for violin, traverso + organ RV779, 4 Allegro.mp3
20 - Concerto in F major for violin, organ + strings RV542, 1 Allegro.mp3
21 - Concerto in F major for violin, organ + strings RV542, 2 Alla franchese.mp3
22 - Concerto in F major for violin, organ + strings RV542, 3 Allegro.mp3
Marcelo Bussi, órgão
Manfred Kraemer, violino
Balázs Máté, violoncelo
Jed Wentz, flauta transversa
Musica Ad Rhenum