amor pra cachorro - 2007
Eu adoro ler comentários de pessoas sobre filmes, em sites de divulgação, como o Interfilmes. Sobre “Amor pra Cachorro”, filme sobre o qual quero escrever, a Nayama e a Marina comentaram lá que o filme é “Muito bom! Mostra como as pessoas devem amar realmente os animais… Uma lição.” e “Estou recomendando este filme para várias pessoas, para que tomem consciência do dever de respeitarmos todos os animais, além de nós.”. Se Mike White, o diretor, estivesse morto, certamente se reviraria no túmulo.
White é amigo de Jack Black e criador de personagens disfuncionais & tramas insensatas presentes em “Orange County” “Escola do Rock” e “Nacho Libre”. Em sua estréia como diretor, ele escreveu uma sátira cínica a essas pessoas que não conseguem se relacionar, não conseguem namorar, não conseguem ser felizes porque geralmente estão mais preocupadas com os cãezinhos de rua, com as manifestações pelos direitos dos animais ou gastam mais dinheiro com a casa, comida e roupa lavada dos bichinhos de estimação do que com o próprio guarda-roupa. O problema é que essas pessoas – que podiam se identificar e achar graça no escracho de White – geralmente não tem bom-humor. Algumas dessas pessoas sequer têm qualquer humor. E o retrato que o filme faz delas, com algum realismo, faz com que elas, as personagens do filme, às vezes pareçam tão chatas, tão chatas, tão insossas nesse ramerrame em prol dos bichos que… não há bom-humor que se sustente.
Na chatice de ser e representar esse tipo de gente na tela, sobra um filme ácido que, para mim, resultou em uma hora e meia de curtição. Menos curtição que “Nacho Libre”, é verdade, mas uma curtição de ver ali, na tela, algumas pessoas que conheço na vida real. É gente que geralmente não vemos no cinema. E o filme é curto, isso ele tem de muito bom.
Faltou a White chutar o pau da barraca, botar a personagem da Molly Shannon para ficar com o personagem do John C. Reilly, fazer a cena final dos dois numa mega-trepada ao ar livre enquanto uma picanha sangra na churrasqueira. Fecha na picanha, sobem os créditos.
Mas só mentes re-al-men-te doentias como a minha pensam esse tipo de coisa.



