Damien Hirst, o homem de 250 milhões de dólares.

Arte e Entretenimento - Ronda Noturna

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Ou, de como nas artes plásticas vale o dito de Tim Maia, o filósofo: “tudo é tudo e nada é nada...”

Esta é minha terceira tentativa de escrever sobre Damien Hirst, o homem de 250 milhões de dólares. E também a última, já que o assunto, e o artista, não valem mais do que isso. Apenas dobro-me diante do “acontecimento do ano” nas artes plásticas: o leilão, pela casa Sotheby’s, de 223 obras de Damien Hirst, que amealhou a quantia que citei acima.
Meu primeiro texto ficou imenso e acadêmico demais, e o segundo muito irado e recheado de impropérios. No final das contas, é melhor ler o excelente artigo de Robert Hughes no The Guardian sobre o assunto. Mas vou tentar mais uma vez...
Acho que ser direto e objetivo é uma abordagem mais adequada: na boa, falar do autor de uma obra que é um tubarão apodrecendo num tanque de formol furado e que se chama “A Impossibilidade Da Morte Na Mente De Alguém Que Está Vivo” não merece mais do que algumas linhas. É um trabalho banal (como, de modo geral, é a obra de Hirst), com um título tão pretensioso quanto vazio e que, na opinião deste que vos escreve, só amplifica a arrematada palermice que é este trabalho. E além dos tubarões, Hirst já fez (mandou fazer, já que ele, naturalmente, não se suja com imundícies) trabalhos com carneiros, zebras, porcos, bezerros e outros bichos infelizes. Nada diferente daquilo o que você pode ver em qualquer museu de ciências naturais ou num aquário qualquer. A diferença são esses títulos “profundos” (o bezerro com cascos, chifres e um disco de ouro sobre a cabeça chama-se, veja você, meu caro leitor, O Bezerro de Ouro; percebeu a sacada?) e o preço que ele cobra, e que pagam, por essas obras.
Até aí, tudo bem. O diretor do aquário de São Sebastião, por exemplo, pode pegar aquele golfinho deprimente que eles tem por lá, intitulá-lo “A Infinita Noite Dos Astrônomos Ptolomaicos”, e colocá-lo à venda na Galeria Fortes Vilaça por quinhentos mil reais, uma verdadeira pechincha.
Só que o diretor do aquário não é um nome griffado, a Fortes Vilaça provavelmente vai sugerir que o sujeito leve seu golfinho morto para vender na feirinha do MASP, e certamente não haverá nenhum investidor como Steve Cohen (que pagou 12 milhões de dólares por um dos tubarões) disposto a liberar algum troco pelo pobre animal.
Mas existem pelo menos 223 outros Steve Cohens que tascaram suas assinaturas em cheques bem gordos para ter em suas mansões uma legítima zebra Damien Hirst apodrecendo no formol, ou uma das fotos do crânio coberto de brilhantes (que custa, só ele, 100 milhões de dólares) salpicadas com pó de diamantes, esta por míseros 10 mil dólares.
O “Acontecimento Hirst” (o evento merece um título) é uma manifestação gritante do atual estado das coisas nas artes plásticas. É uma condição em que se misturam os mais diversos interesses, e todos eles completamente descolados da qualidade intrínseca do trabalho artístico.
Damien Hirst é um gênio, sem dúvida, mas de uma outra ordem.
E há algo de muito podre no mundinho das artes plásticas, e não é o tubarão.



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Rafael Reinehr  - A morte como arte |05-10-2008 08:37:01
avatar Um dia me falaram de um artista plástico (japonês, acho), cuja obra derradeira foi uma "tela", resultado do seu suicídio ao se jogar de não sei que andar sobre a "tela", lá embaixo. Não sei se procede, se essa história é verídica, mas um bom título para esta obra seria "Quanto vale a vida?". Senti falta de algumas imagens da mostra aqui no OPS!...
Marcos Schmidt |05-10-2008 19:23:47
avatar Confesso que essa eu não conhecia, Rafael. Mas lembro de uma vídeo-performance dos anos 70s em que o sujeito cortou o próprio pênis e ficou sangrando até morrer enquanto um outro filmava. Tenho uma certa dificuldade de entender esse tipo de "arte". Não sei o que essa espécie de performance radical pode revelar, prá ser bem sincero...
alice lara |13-05-2009 13:32:23
então a o que você da valor a quem bota mão na massa? beleza! entao pegue um pedreiro é peça para ele fazer uma "obra de arte" para você.(não que os pedre3iros não sejam capazes de fazer obras de arte pq eles fazem) Já que o que importa é sujar as mãos e tals. E outra coisa se o Hirst vale tando quanto um Van eick é por que ambos tem um mundo de publicidade e significação em torno de sí ok?
Marcos Schmidt |13-05-2009 22:13:08
avatar Cara Alice: fazer o trabalho com as próprias mão é importante, sim, mas não quer dizer que seja a única coisa a ser considerada. Não sei se você já fez algum trabalho dessa natureza, mas fazer uma coisa, torná-la concreta, implica em incluir o acidente, o acaso na sua obra. Quando você delega isso a terceiros, o acidente que pode ser o grande achado ou a destruição da sua arte deve ser creditado também aos seus auxiliares. Não creio que Hirst dividiu os créditos, nem os milhões, com os seus ajudantes. Se meter a mão na massa, como você afirma, não fosse importante, não haveria arte conceitual, por exemplo. Bastaria que o artista me descrevesse sua obra. Mas torná-la concreta É meter a mão na massa. Ou o sujeito vai fazer sua arte com sua alma? Com uma emanação da sua mente? Isso é uma piada. Mas esse não é o problema da arte de Hirst: o problema é que sua arte é pobre, formal e conceitualmente. Nem vou falar do seu trabalho gráfico, que é padrão Romero Brito de qualidade. Para mim, uma grande obra é aquela que apresenta várias camadas de interpretação. Van Eyck é um grande artista não por causa da sua técnica, mas porque sua obra possui tantas camadas da significação que, mesmo que eu não conheça seu real sentido,eu posso criar e imaginar muitos outros. Compará-lo com Damien Hirst é conhecer muito pouco do trabalho de ambos, fora o ridículo da comparação. Hirst é um gênio: não é qualquer um que convence alguém a pagar muitos milhões por um peixe podre. Eu não convenceria, muito menos você. Prá terminar, eu lhe recomendaria, cara Alice, a leitura de Entrevistas com Francis Bacon, de David Sylvester. Acho que ali você vai entender o que realmente significa por a mão na massa.
alice lara |12-06-2009 07:08:12
Fui meio grosseira me desculpe ok? mas por que hisrt deveria dividir creditos com seus ajudantes? quem paga os milhoes pelo trabalho dele paga pela sua ideia, não pelo trabalho.Me diz quantas vezes que voce ja viu um Van Eyck na sua frente? voce tem um na sua sala? nos lidamos com conceitos nesses dois artistas não com sua materialidade direta e provalvemente a maoiria das coisas que vimos é de livros de internet não de museu.
alice lara |12-06-2009 07:12:51
fazer arte com a mente é piada? entao o artista faz arte com o que rins figado?
alice lara |12-06-2009 07:15:33
as camadas de interpretação que separam Hirst e Van Eyck estão diminuidas apenas em um lugar: na mente do espectador, que esta educado, condicionado ou simplesmente em um local interessante para ver ou não aquilo. Isso nao é uma caracteristica apenas da obra de arte mas de toda a vida
alice lara |12-06-2009 07:19:50
enfim eu produzo pintura, uso tal da mão na massa e isso é de extremo valor para mim.
mas não é mão na massa, não é só isso. se por acaso para mim é importante por que faz parte do meu entendimento do trabalho que bom para mim. Se para outros artistas como Hisrt, Marina Abramovic e Duchamp não é, nao é o que vai deixar o trabalho deles menor e inferior ao meu
damian  - para voce marcos |24-08-2011 16:56:40
SR MARCOS, PARECE QUE O SENHOR GOSTA DE EFETUAR CRITICAS MALHUMORADAS E SATIRIZAR O TRABALHO "ARDUO" E DETALHADO DOS OUTROS, PARA EVIDENCIAR SEUS CONHECIMENTOS SOBRE ARTE. EU SEMPRE CONSODEREI INDISPENSAVEL, QUE PARA EFETUAR UMA CRITICA, PELO MENOS AQUELE QUE A FABRICA TEM QUE DEMONSTRAR CERTAS QUALIDADES A RESPEITO DO QUE FALA, VOCE AS TEM?
Adri  - quanto vale um conceito? |14-10-2011 22:20:39
Marcos, quanto tempo vc usou pra escrever seu texto, quantos pensamentos circularam em vc antes de escolher o que compartilhar?
Quantos textos foram escritos no mundo sobre isso?
Quantas reflexões e críticas foram produzidas a partir dessas obras?
Mesmo que vc não queira seu texto faz parte destes trabalhos do Damien Hirst,e só existe a partir dele.
A obra do Damien Hirst incorpora significados na medida que incorpora dígitos no seu preço.
Mas o que me entristece é ver a arte aprisionada nas coleções particulares, virando troféu e decoração comtemplada apenas pelos amigos de seus donos.
Me tuíta!
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