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Nelson Rodrigues disse que “toda unanimidade é burra” – isso significa que não necessariamente a maioria o seja. Os Beatles não são unanimidade, e nem nunca foram. Entretanto, é indiscutível a qualidade e a influência do grupo britânico não só no rock como na música pop do restante do século XX (a partir da década de 60) e do século XXI. Gente como o articulista do Yahoo Dafne Sampaio não vê valor algum nos Beatles – já pessoas como eu o consideramos o maior grupo musical da história. E como se mede isso? Não fiz nenhuma pesquisa universitária e nem fiz leituras ou consultei “especialistas” – usei apenas um pouco de dedução, imaginação e suposição para chegar a essa conclusão. A música feita pelos Beatles serve de parâmetro para quase tudo de 1965 para cá – exemplos: The Byrds, The Kinks, Oasis, Pulp, Jovem Guarda, etc. Além da quantidade de artistas que regravaram suas músicas, o número de tributos e homenagens feitas em estilos tão diferentes como Salsa, Guarânia, Eletrônica, Dub, Country, Jazz, etc. Os Beatles trouxeram renovação ao rock – pois romperam com o esquema tradicional dos anos 50, incorporando novos métodos de composição, arranjos mais sofisticados, efeitos de estúdio, álbuns conceituais, música indiana – misturando, confundindo e influenciando toda uma geração. Mesmo após 40 anos do fim da banda, os Beatles continuam gerando audiência, mídia e dinheiro. E por quê?



Bom, primeiro pela qualidade indiscutível. Segundo porque é atemporal – ou seja, sua música comunica-se com qualquer geração, e não ficou apenas confinada aos saudosistas hippies dos anos 60. São canções que entraram no repertório popular – de “Lucy In The Sky With Diamonds” a “Yellow Submarine”, passando por “Across The Universe”, “Heres Come The Sun” e “Twisted And Shout”. São canções que serão ouvidas eternamente – porque transcendem o tempo por tratarem de temas universais. E de tanto cada geração falar delas (e ouvi-las), o interesse pelas gerações vindouras aumenta. As canções beatlenianas estão em tudo – comerciais de TV, festas, rádios, novelas, filmes, etc. E aí reside a diferença entre os Beatles e seus “concorrentes”. Elvis Presley com certeza é um ícone da música do século XX também, mas o interesse geral por sua música é sazonal (com isso estou descontando todo o culto que existe em torno de sua figura). Madonna é chamada de rainha do pop – mas não se fala mais tanto dela assim! Michael Jackson voltou às manchetes por sua morte, mas seu legado (importantíssimo por sinal) não pode ser comparado com a da banda britânica. E quanto aos Stones, Bob Dylan, Neil Young, The Doors, Pink Floyd, Lez Zeppelin, Jimi Hendrix, entre outros? Continuam cultuados? Claro que sim – tanto os vivos, quanto os mortos – mas eles não estão por aí a todo momento – pois sua influência não é tão nítida quanto a dos Beatles.





Todos esses são grandes artistas – talvez até eternos como os Beatles – mas não são copiados como estes e muito menos entraram com tanta profundidade para a cultura pop. Sim, os Beatles transcenderam a música, pois influenciam a arte também. Por sinal outra inovação do Fab four. A capa do revolucionário Sgt. Peppers é com certeza uma obra-prima da pop art (por extensão). É um dos modelos de capas mais copiados de todos os tempos. E se enganam se pensam que só a capa do Sgt. Peppers é copiada – não, há toda uma sub-cultura que envolve as capas de “Let It Be” e principalmente “Abbey Road”. Platão diz que as idéias existem independentemente de nós as pensarmos e que como já existem, um dia virão à tona porque serão pensadas por alguém. Então sob essa condição, eu penso que se essas capas não tivesse sido pensadas por eles, seriam pensadas por outros – mas a realidade desmente a teoria, porque então ninguém mais pensou em capas tão geniais que pudessem ser copiadas a exaustão? Porque só os Beatles são os Beatles! E se pensarmos bem, até que algumas são capas comuns, idéias simples – mas que levam a assinatura de serem dos Beatles. E que a partir daí trazem em si um legado, uma referência, uma qualidade quase dogmática. Só se torna um modelo, um parâmetro, aquilo que é bom, aquilo que vende – e por isso os Beatles são copiados até hoje. São como os grandes mestres do Renascimento, ou os compositores clássicos, ou os craques do futebol do passado – servem como “guias”, pois apontaram caminhos, foram por estradas inéditas, e sobretudo porque ousaram. Sim, os Beatles foram extremamente ousados. Romperam com seu tempo e como aponta o crítico Harold Bloom – os gênios se criam por ousarem romper e ultrapassar seus antecessores. Os Beach Boys até tentaram competir – lançando o genal “Pet Sounds” para rivalizar com Revolver. Mas não conseguiram realizar algo maior do que Sgt. Peppers e ficaram pelo caminho. Já os Beatles superam todos – incrivelmente todos os que vieram antes e depois deles, e assim está sendo a história da música pop e do rock há 40 anos – data do fim da banda. Veja – que outra banda conseguiu lançar em seqüência álbuns tão genais e importantes com eles (Rubber Soul, Revolver, Sgt. Peppers, Magical Mystery Tour, White Album, Yellow Submarine, Abbey Road e Let It Be)? O Nirvana e o Radiohead foram bandas que mexeram com as estruturas do pop – mas assim como Elvis são sazonais – vemos camisas deles por aí, mas não transformaram nada, não viraram parâmetro e a qualidade de ambos não é assim tão indiscutível. Resistir ao tempo é realmente para poucos, influenciar quase todos é ainda mais restrito, agora se tornar referência de arte de capa é feito só para os Beatles. “Beatles live forever!”






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